Auxiliar de Vadão em 2004, Marcelo Chamusca posta sobre qualidades do ex-técnico da seleção
Uma notícia que deixa os amantes do futebol tristes. Faleceu Oswaldo Alvarez “Vadão”, aos 63 anos. O treinador com vasta bagagem lutava contra o câncer no fígado e não resistiu ao tratamento nesta segunda-feira (25). Vadão passou por Mogi Mirim, Guarani, Araçatuba, XV de Piracicaba, Matonense, Athlético-PR, Corinthians, São Paulo, Ponte Preta, Bahia, Vitória, Goiás, São Caetano, Sport, Criciúma, futebol japonês e Seleção Brasileira Feminina.
Nas redes sociais, mais especificamente no Instagram, o atual técnico do Cuiabá Esporte Clube, Marcelo Chamusca, postou uma mensagem de condolência à família, destacando as qualidades do experiente colega de profissão.
“Trabalhar com Vadão no Bahia foi um período de muito aprendizado. Vadão era muito humilde; humildade absurda, incrível. A sua gestão de grupo também era excelente e conseguia deixar o ambiente sempre com muita harmonia, especialmente, no vestiário. Fui um dos seus auxiliares durante o 1° semestre de 2004, antes de eu ir ao São Caetano. Nessa foto, estamos juntos com Gersinho, que integrou sua comissão técnica por mais de 20 anos. Deus abençoe à família e aos amigos mais próximos neste momento de dor. Que você esteja em paz, Vadão!”, postou Marcelo Chamusca no seu perfil oficial do Instagram.
Vadão teve duas passagens pela Seleção Brasileira, totalizando quatro anos e quatro meses de trabalho. O técnico foi importante peça na reestruturação da equipe feminina ao liderar um trabalho que culminou no quarto lugar nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Além da conquista de duas Copas Américas, em 2014 e 2018, e a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015.
Também liderou a Canarinho em duas Copas do Mundo, no Canadá em 2015 e França 2019. O trabalho foi reconhecido pela FIFA e, em duas oportunidades, Vadão concorreu ao título de Melhor Treinador do Mundo, nas temporadas 2015/16 e 2017/18.
Dono de um olhar atento, Vadão foi o responsável por lançar nomes como Rivaldo, em 1992 no Mogi Mirim, Kaká, em 2001 no São Paulo, e Andressinha, em 2014 na Seleção Feminina, como fazia questão de destacar.
No comando da Seleção Feminina, Vadão se orgulhava da missão e da responsabilidade que desempenhava sempre destacando a importância da valorização do futebol das mulheres.
A carreira
Antes de se tornar técnico, Vadão foi jogador de futebol. Canhoto, atuou como meio-campista em times do interior paulista. Aos 28 anos, após encerrar a carreira dentro das quatro linhas, iniciou o curso de Educação Física pela Faculdade Fundação Karnic Bazarian, em Itapetininga (SP). O objetivo inicial era ser preparador físico, no entanto, a carreira seguiu novos rumos, primeiro como assistente técnico e, depois, como treinador.
O primeiro trabalho como técnico foi no Mogi Mirim, em 1992, onde fez história no futebol nacional ao implementar o famoso “Carrosel Caipira”. O estilo de jogo inovador chamou atenção no Brasil. A equipe que incomodou muitos adversários por jogar bonito, era liderada dentro de campo por Rivaldo, Válber e Leto.
O treinador também deixou sua marca e fez parte da história com a conquista de títulos em clubes como São Paulo, Atlhetico Paranaense, XV de Piracicaba e Criciúma.
A relação com o futebol feminino começou em abril de 2014 com o convite para dirigir a Seleção Brasileira Feminina. Na primeira oportunidade, em cinco meses de trabalho, levou o Brasil ao sexto título da Copa América do Equador, em 2014. Em um ano e dois meses no cargo, o desafio seguinte foi a disputa da Copa do Mundo do Canadá, em junho de 2015. Ainda em terras canadenses, Vadão liderou a equipe na conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em julho de 2015.
Em 2016, o ano mais desafiador de sua carreira, os Jogos Olímpicos do Rio. Apesar da boa campanha na fase inicial, a equipe brasileira perdeu na semifinal, nos pênaltis, para a Suécia. Na classificação geral, a Seleção terminou em quarto lugar.
Após onze meses longe do comando da Seleção, um novo convite para ser técnico da equipe feminina. Na segunda passagem, Vadão levou o Brasil ao título do Torneio da China, em 2017, e ao heptacampeonato invicto da Copa América do Chile, em 2018.
O último ato no futebol foi na Copa do Mundo da França, em 2019. Apesar do bom desempenho na competição, o Brasil foi eliminado pela França, nas oitavas de final.
Pela experiência e títulos na carreira, Vadão recebeu a Licença Honorária da CBF Academy, em 2018. No mesmo ano, o treinador também concluiu o curso da Licença PRO, a mais alta graduação de um técnico no futebol brasileiro.
Por: Pedro Lima / da Redação














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