Coluna Copa – Fred Desencanta
Fernandinho do Manchester City, toca para Fred do Fluminense, que toca de primeira para Oscar do Chelsea que devolve na frente para Fernandinho que chuta para o fundo do gol. Foi narrando e explicando o quarto gol brasileiro que encerrei uma longa conversa de pub sobre o futebol, o Brasil e o cara da 9.
Troquei os ares londrinos pelo gelado verão sueco, bem ao sul, mais perto de Copenhagen do que Estocolmo, é onde fica MÃ¥lmo, cidade de 300 mil habitantes onde não há indícios de Copa do Mundo.
Peguei um trem e 15 minutos depois, desci em Lund, uma cidade menor ainda, mas de estudantes quem chegam do mundo todo e o resultado disso são dezenas de pubs espalhados pela cidade.
Lá estava eu numa roda de 4 suecos que pouco sabem de futebol, mas são fã de Zlatan, como o Ibrahimovic é conhecido por aqui.
Antes do jogo, já na segunda pint, um dos suecos me pergunta repetindo antes o que o comentarista da TV local acabara de dizer.
Quem é esse cara que é tao impopular como foi Serginho Chulapa na época do Telê e mais odiado que argentino no Brasil?
Começo respondendo com a fidalguia de sempre, sem perder a ironia.
Se ele gostasse de popularidade ele jogaria no Flamengo e não no Fluminense. Ele não é craque, não joga em time que ganha os jogos fazendo dois ou três gols, ele joga num time que joga para ele fazer um gol e ganhar de um a zero.
ele é o cara dos grandes jogos, que faz gol de bicicleta nos clássicos contra os maiores rivais, é o tipo de jogador que toca na bola 3, 4 vezes durante um jogo e acaba fazendo gol de cabeça.
No Rio de Janeiro, ele é o único jogador de futebol que entendeu que morar na zona sul é bem melhor que morar no Recreio, que sair em Ipanema é melhor que na Barra e surfar é bem mais carioca do que fazer churrasco na praia.
E já na empolgação de brasileiro que sou, fui além.
Hoje é jogo para ele, jogo que ele gosta de marcar, de jogar, de participar. Pode ter certeza que depois do jogo estaremos aqui falando qualquer coisa dele.
Depois de um primeiro tempo tenso, de fortes emoções e Fred perdendo um gol bisonho e claro, mais comparações com Chulapa, começa o segundo tempo, e logo aos 9 ele arrisca de fora e o goleiro defende. Bastou mais dois lances que ele apareceu.
Gol do Brasil. Gol de Fred.
3 a 1 e um jogo que estava difícil ficou fácil no segundo tempo.
O Fred voltou. É jogo decisivo, jogo pra gente grande jogar.
Os suecos todos me olham espantados, no primeiro e segundo gol fui contido na comemoração, e no resto do bar somente ouviu-se algumas palmas, mais pela beleza do gol, do que estar torcendo para o brasil.
Mas no gol do Fred, a história foi outra, um brasileiro saiu feito louco pelo pub gritando em português sem ninguém entender nada.
E não é que tinha um gaúcho no pub, que nem gosta de futebol, não é Inter nem Grêmio, mas gosta de Copa do Mundo e sem dúvida, é fã do Fred.
Era o gol dele, do cara que não joga bem, mas empurra a bola pra rede. Não esperem um Ronaldo muito menos um Romário, mas o Fred é um Giroud ou Torres sem a grife da Europa.
E nem precisamos esperar o fim do jogo para só falar dele, do Frederico, e o quarto gol serviu para explicar aos meus novos amigos o porque Fred é Fred, único jogador titular da seleção brasileira que joga no Brasil, é ídolo no Flu, mas a todo momento se envolve em uma polêmica, esse é Frederico, bigode grosso, respeitem o moço.














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