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Seleção Brasileira

30 de outubro de 2026 às 16:51:22

Kayo Henrique

Com a paralisação do futebol, roupeiro busca nova renda e cria loja virtual de tênis

14 de jun. de 2020
3 min de leitura

A pandemia do novo coronavírus atingiu todo o Mundo e fez trabalhadores se adaptarem a um novo cenário na busca por renda. No futebol, que está paralisado no Brasil, funcionários de alguns clubes necessitam de novas ideias para conseguir pagar as contas.


O roupeiro do Clube Esportivo Dom Bosco, Luiz Humberto, conhecido como Betinho, foi uma dessas pessoas que buscou novas ideias para angariar um sustento mais adequado à família. Após deixar para trás o sonho de ser jogador de futebol na adolescência, ele iniciou o seu trabalho de mordomo aos 16 anos, como auxiliar de rouparia. É o que ele faz por amor e pelo pão de cada dia, mas a chegada do vírus o transformou como profissional: agora é vendedor de tênis na internet. Confira o perfil no Instagram.

“Sonho para mim também é voltar ao futebol, sim. Tive uma fase muito boa, garanti minha casa, uma renda maior para minha família, foram anos de conquistas. O futebol está no sangue, na veia e no coração. A gente faz por amor, seja minha profissão como mordomo, as das cozinheiras, do massagista. Somos os primeiros a chegar e os últimos a sair. As vezes tem viagem, ficamos longe da família. Esse sonho eu já carrego há muito tempo no meu peito”, disse Betinho em reportagem do Sobrevivendo FC, especial do Esporte Interativo.

Com a renda que recebia do Dom Bosco, Betinho pagava a pensão da sua filha do primeiro casamento e sustentava sua família. O clube busca colaborar com sacolões completos de alimentos e produtos de limpeza. A esposa de Betinho é revendedora de roupas e essa foi a única renda no primeiro mês de paralisação, que não foi suficiente para pagar todas as contas. Foi aí que surgiu a ideia de vender a moto que tinha, investir o dinheiro em mercadoria e começar a vender tênis.

“Não tinha de onde tirar dinheiro, tive que me virar. Comecei a entregar muitos currículos e nada. Tirei um bem que que tinha para comprar os tênis, e deu tudo certo. Foi um mês de desespero. A ideia de vender os tênis foi da minha esposa, ela falou que ia dar certo. E deu certo. A gente não pode abaixar a cabeça e eu nunca abaixei. No começo apareciam poucos clientes, depois foram comprando, ganhando confiança, os jogadores fizeram vídeos para me ajudar e isso foi fluindo. Hoje, vender tênis faz o meu salário em casa.”

Betinho conseguiu superar a dificuldade encontrando uma nova ocupação, mas isso não faz com que esqueça do futebol, mesmo vendo futuro como vendedor de tênis. Ele quer voltar a trabalhar no Dom Bosco, e mais que isso, quer voltar a ter contato com o que é sua paixão.

“Sempre trabalhei com futebol, desde os 16 anos. Jogava na base do Mixto Esporte Clube, meu vizinho era roupeiro e eu o ajudava com as camisas dos jogadores profissionais. Fui indo para os clubes, quando fui para o Cuiabá, em 2014 e sai em 2019. Hoje estou no Dom Bosco, só um mês de trabalho por conta da pandemia. O sonho, a gente sempre tem em voltar para o futebol. Mas se está dando certo, a loja virtual de tênis, para frente quero abrir minha loja. Posso trabalhar com o futebol e com a loja. Se o futebol voltar aqui, estou de volta, mesmo com minha loja aberta. Com a loja eu posso dar oportunidade para quem precisa e dar um salário, porque na vida eu aprendi com meu pai ajudar as pessoas”, completou Betinho.

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