Com Eder Moraes, o VLT ganha importante aliado
Eder Moraes deixa o comando da Casa Civil do Estado e chega à presidência da Agência Estadual de Execução dos Projetos da Copa de 2014 (Agecopa) pedindo companheirismo e parceria dos seis diretores que lá estão. No entanto, ele já anuncia que encaminhará uma proposta de alteração do Projeto de Lei Complementar que acabou de ser aprovado na Assembleia Legislativa e sancionado pelo governador Silval Barbosa (PMDB) e que culminou com sua nomeação à presidência da autarquia.
Conforme o novo presidente, ele quer “modelar a gestão dentro do estilo em que quer trabalhar”, ou seja, rápido e objetivo. Com a alteração para um regime presidencialista da Agecopa, Eder Moraes terá o controle das ações.
Na discussão do novo modelo de transporte a ser adotado em Cuiabá e Várzea Grande, Eder é bem claro: VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) é sua preferência, em detrimento do BRT (Bus Rapid Transport). E ainda mais possíveis mudanças à vista: transformar a rua 13 de Junho em corredor exclusivo para ônibus, evitando desapropriações na Prainha.
Ligado ao esporte, no começo deste ano Eder pretendia assumir a presidência da Federação Mato-grossense de Futebol, o que não aconteceu até agora. Ele afirmou que não descarta acumular a presidência da Agecopa e da Federação. Esta semana, Eder recebeu o Diário para a seguinte entrevista:
Diário de Cuiabá – Sua chegada à Agecopa é num momento conturbado, já que se trata de uma mudança na estrutura. Qual será o principal desafio?
Eder Moraes – Eu considero que o principal desafio é não frustrar a expectativa da sociedade mato-grossense, dos cuiabanos, várzea-grandenses, enfim, todos aqueles que fazem parte desse conglomerado urbano que somam praticamente 800 mil pessoas. Os benefícios da Agecopa ficarão para geração futura, para nossos filhos e netos, portanto o desafio maior é tornar a região metropolitana melhor para se viver, com melhor trafegabilidade, melhor acesso das pessoas, com a capacidade de potencializar o comércio, a prestação de serviços e fazer de Cuiabá um verdadeiro corredor de atração de investimentos.
Diário – Na ocasião da confirmação do seu nome na Agecopa, o senhor disse que publicaria editais em 10 dias. Pode nos adiantar a que obras se referem esses editais?
Eder – Eu quero me reunir com o consórcio Santa Bárbara, responsável pela construção da nova Arena Verdão, para exigir uma celeridade maior nas obras. Evidentemente, que para isso eles precisam receber as medições que estão pendentes. Num curto espaço de tempo, com uma auditoria independente, nós vamos atender a prerrogativa do BNDES e dessa forma liberar aquilo que o Estado já está devendo daquilo que foi realizado até agora. Lógico, verificando se está em conformidade com aquilo que a legislação preceitua. Entre as obras prioritárias, estão as de desbloqueio, já nos principais entroncamentos da cidade haverá alterações. A meta é dar celeridade para que isso comece efetivamente a acontecer e ao mesmo tempo buscar a efetivação das alternativas do desvio do trânsito desses veículos que estarão impedidos de transitar onde essas obras estarão acontecendo. É um desafio muito grande a criação de novos corredores de trafegabilidade na região metropolitana e, ao mesmo tempo, melhorar aqueles que estão estrangulados e que precisam ter uma melhor fluidez do trânsito. E que, consequentemente, trará melhoria da qualidade no ir e vir das pessoas.
Diário – Sobre desapropriações. O Estado tem dinheiro para isso?
Eder – Nós previmos, antes da criação da Agecopa, R$ 1 bilhão para investimento, do caixa próprio do governo de Mato Grosso. Eu fui um dos engenheiros financeiros responsáveis por isso e que julgo ter sido importante peça na vinda da Copa para Cuiabá, por causa dessa engenharia financeira. Já temos aprovado também cerca de R$ 1 bilhão para outras obras, como a Arena e obras de mobilidade urbana. O que nós vamos avaliar é o real custo dessas desapropriações e, evidentemente, que o Estado terá que honrar com isso e nós vamos indenizar todas as pessoas. Mas será uma indenização justa, sem cartelização de preço, sem coisas combinadas. E se for necessário vamos alterar o desenho de onde poderá estar acontecendo o VLT, ou BRT, ou VMU ou Monotrilho, qualquer um que seja. Para se evitar cartelização de preços, estou disposto a fazer essa sugestão, como por exemplo, se for o caso, tratar da rua 13 de Junho como corredor específico do transporte de passageiros. E em outros pontos da cidade é possível fazer isso também.
Diário – Então, há uma possibilidade real de a 13 de Junho virar corredor exclusivo?
Eder – É uma possibilidade real. Como é uma possibilidade real também, nós alargaremos as pistas da Prainha para o meio, para que ela possa receber a carga de tráfego de veículos em cima. E jogaremos para a lateral o traçado do transporte coletivo. Mas vou conversar com todos os envolvidos, engenheiros. Vou conversar e vou discutir despido de absolutamente qualquer outra coisa que não seja o efetivo acontecimento da Copa do Mundo. Se alguém está achando que vai vender dificuldades na Agecopa para colher facilidades, vai encontrar na figura do presidente e de seus diretores – todos que são meus companheiros a partir de agora – um endurecimento. E vou abrir uma Ouvidoria, se já não há, para receber denúncias, se há envolvimento ou se há qualquer tipo de negociação que não atenda aos preceitos da vida pública. É assim que eu sempre agi por onde passei e vou agir assim lá também.
Diário – Na ocasião do anúncio do seu nome, o senhor disse “não vou ficar nas mãos de pessoas se organizando para fazer cartel”. O que quis dizer com isso?
Eder – Eu quis dizer que as notícias que nos chegam é de que há grupos que se beneficiariam do comércio disso. Se beneficiariam da assessoria em torno dessas pessoas que teriam que ser desapropriadas e também aqueles próprios que estão onde passa o traçado desse novo tráfego urbano a possibilidade de se organizar e cobrar um preço acima daquilo que é o valor venal dos imóveis. Evidente que entre o valor venal e o valor comercial o Estado encontrará uma equação que seja justa. E eu tenho certeza de que se houver qualquer mudança não será por parte da Agecopa. A Agência tomará as decisões rápidas para a desapropriação, com depósito em juízo e a cobrança da retirada imediata dos que estão ocupando os lugares onde há o interesse público. Mas o Estado também não será injusto com ninguém, o que será feita é justiça econômica e social.
Diário – Então o senhor se referiu à questão da desapropriação, não sobre o modelo de transporte a ser adotado?
Eder – Evidente! Quanto ao modelo, eu particularmente tenho a preferência pelo VLT. Essa é uma posição pessoal minha. Mas vou avaliar a equalização das tarifas, de que forma ela possa ser acessível ao trabalhador mato-grossense. De nada adianta fazermos algo que a tarifa seja inacessível. O tamanho que o Estado vai estar dentro desses investimentos ou não é que vai dimensionar o tamanho dessa tarifa. Quanto mais o Estado participar nos investimentos, menor a necessidade de retorno financeiro que teria que ser cobrado nessas tarifas.
Diário – Essa discussão do VLT ou BRT não deveria ter acontecido há pelo menos um ano?
Eder – A preocupação que eu tenho é a seguinte: se nós tivéssemos alterando, ou tentando alterar, um modelo para outro pior, seria preocupante. E aí nós poderíamos ter alguma resistência dos organismos financiadores. Como estamos mudando, eu espero mudar, para um modelo melhor, que tem mais qualidade e durabilidade e retorno melhor – conforme eu pude checar até agora nas informações que chegaram – então não vejo problema. Em última instância, utiliza-se o valor aprovado do financiamento, praticamente R$ 400 milhões, e a diferença sai desse R$ 1 bilhão que o Estado tem programado em seu orçamento. Não teria que se passar por nova análise de crédito.
Diário – Nos bastidores comenta-se que o escolhido para a Agecopa teria que ter o entendimento pronto, antes da nomeação, pela aprovação do VLT, assim como quer a Assembleia.
Eder – De forma nenhuma! Isso nunca veio em nossas discussões. Eu entendo que essa discussão nasceu na Assembleia porque lá representa a vontade popular, então evidentemente que todos os organismos envolvidos nessa questão têm que ser ouvidos. A Assembleia tem uma parcela de participação grande porque indicou dois diretores. Ela pode opinar, sim, quer seja na figura de seu presidente ou quer seja na figura de qualquer outro parlamentar.
Diário – A relação da Assembleia com o governo nesse começo de mandato anda um tanto conturbada. CPI, auditorias, mudança na Agecopa. O presidente da Assembleia afirmou que se Legislativo não aprovasse o nome, o indicado não passaria na sabatina. Como foi feito esse processo de articulação?
Eder – Eu me reuni aqui no Palácio Paiaguás com 16 deputados. Todos foram unânimes quanto ao meu nome. Divergiram apenas na forma de acumular ou não as funções da Casa Civil e a presidência da Agecopa. Portanto, minha responsabilidade só aumenta de poder corresponder à expectativa de todos eles e da sociedade. Mas uma andorinha sozinha não faz verão. E com humildade vou pedir ajuda de todos os diretores que lá estão, que já realizaram até agora um excelente trabalho. Pelas burocracias que o Estado e a vida pública colocam, eles vêm conseguindo vencer isso, talvez até numa velocidade maior do que aquela que tradicionalmente se impõe. Eu preciso de todos os diretores. Mas lembro que o meu estilo de gestão da coisa pública é com objetividade, com decisões rápidas e sem qualquer tipo de negociação que não seja aquela do interesse do povo de Mato Grosso.
Diário – O que faltou até agora na Agecopa?
Eder – Acho que Agecopa, com a saída do Adilton Sachetti e a entrada do Yênes, conseguiu se manter naquilo que era seu objetivo: de fazer todas as tratativas documentais e burocráticas nesse momento. Mas a sociedade tem uma expectativa muito grande de ver essas obras nas ruas. Também acho que em algum momento faltou um pouco mais de incisividade, de tomada de posição efetiva, é a minha opinião. Mas isso em nenhum momento tira o mérito e a competência de todos eles que conseguiram fazer até agora esse belo trabalho. Também considero que podemos replicar estruturas do Estado dentro da Agecopa. Se o Estado tem estrutura capaz de atender à s demandas emanadas pela Agecopa, que se faça termos de cooperação técnica e se cobre isso efetivamente. Não podemos ficar preocupados em inchar a Agecopa, em buscar número de servidores. Mas eu espero chegar para somar, para dar o chamado upgrade em tudo que está sendo feito. Não quero olhar o passado, quero cuidar da minha gestão para frente, na minha forma de tratar a coisa pública. Depois de empossado, vou encaminhar, imediatamente, um outro projeto de lei, substituindo este que acabou de ser aprovado, modelando a gestão dentro desse estilo que eu quero trabalhar.
Diário – Como será o relacionamento com os outros diretores?
Eder – Como eu disse, eu chego com a humildade de reconhecer tudo que foi feito até agora. E espero junto com todos eles, de mãos dadas, fazer a Copa do Mundo acontecer e dar celeridade a todas as obras necessárias. A sociedade quer ver obras nas ruas, e isso nós vamos fazer.
Diário – Qual a sua avaliação da nomeação do ex-deputado José Lacerda para o comando da Casa Civil? Foi uma surpresa para a maioria das pessoas, incluindo o secretariado. Teve indicação sua?
Eder – Essa foi uma escolha pessoal do governador Silval Barbosa. Tamanha é a confiança que o governador tem nele, que anunciou na certeza de que ele aceitaria esse convite. É um homem ponderado, bem equilibrado, é meu assessor aqui na Casa Civil, é bom que se diga isso. Desde que assumi, ele foi o primeiro assessor que contratei, portanto não terá nenhum tipo de solução de continuidade na gestão da Secretaria.
Diário – O senhor estava à frente da renegociação da dívida do Estado. Como é que fica isso? O senhor vai continuar?
Eder – Vou continuar, porque esse filho é meu. O governador Silval Barbosa determinou que nós continuássemos à frente dessa reestruturação das dívidas, até pelo acesso e pela facilidade que temos com o mercado financeiro nacional e internacional. E as coisas estão caminhando muito bem. Eu acho que o povo de Mato Grosso terá ganhos substanciais se essa reestruturação realmente acontecer. E o governo Silval Barbosa terá um reforço financeiro muito grande para concluir todas as suas realizações.
Diário – Como é que fica a história da Federação do Futebol do Estado, da qual o senhor queria assumir a presidência?
Eder – Eu estou bem a cavalheiro porque eu disse que daria 60 dias para assumir ou não. Já venceu o prazo, então me sinto descomprometido com essa questão.
Diário – Mas deve haver renovação mesmo assim?
Eder – Eu acho que tem que acontecer a renovação e ela vai acontecer inevitavelmente! E no que eu puder ajudar, estarei pronto a ajudar, como sempre fiz. Temos a questão do Mixto Esporte Clube em andamento. Nós vamos honrar tudo aquilo que havíamos prometido, não aconteceu na plenitude ainda porque os patrocinadores estão com dificuldade por ser início de ano. Mas em breve essa questão toda será resolvida.
Diário – Quais seriam os próximos nomes?
Eder – Temos vários nomes, como Pedro Jacyr Bongiolo e também o deputado Baiano Filho. Acho que eleger um parlamentar para a Federação é muito importante, a facilidade que teria nas negociações, nos convênios e recursos. Temos que saber escolher bem o próximo presidente. Mas também não estou descartando acumular Agecopa e Federação.
Fonte: Diário de Cuiabá














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