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30 de outubro de 2026 às 16:51:22

Kayo Henrique

Copa Verde promove sustentabilidade ambiental e social

6 de jun. de 2011
3 min de leitura

Transformar ar puro em uma nova fonte de renda para três mil famílias ribeirinhas e recuperar a mata ciliar de rios de Mato Grosso até a Copa de 2014 são as bases do projeto Copa Verde, lançado na manhã desta segunda-feira (06.06) pelo governo do Estado através da Agecopa, para neutralizar o carbono emitido na construção da Arena Pantanal, estádio que sediará os jogos do Mundial em Cuiabá.

O projeto prevê o plantio de 1,4 milhão de árvores nativas de 62 espécies até 2014 nos leitos dos rios Cuiabá, São Lourenço e Paraguai, formadores do Pantanal. As primeiras 500 mudas foram plantadas na manhã de hoje à beira do rio Cuiabá, no sítio Jatobá, em Santo Antônio de Leverger (a 35 quilômetros da Capital), por autoridades presentes, como o governador do Estado, Silval Barbosa, e o presidente da Agecopa, Eder Moraes.

Para o casal de ribeirinhos donos da propriedade, Iria Marques da Silva Arruda, 68 anos, e Manoel José de Arruda, 82 anos, o projeto é uma oportunidade de ver a margem do rio Cuiabá reflorestada, como quando eram crianças. “Aos poucos as árvores foram caindo e a gente ficava com o coração partido. Fomos perdendo muitos `pés´ de frutas, como mangueiras, coqueiros, cajuzeiros. Era de dar dó”, disse a sitiante.

 Nas margens do rio que corta Cuiabá, Iria criou os dois filhos. “Nasci aqui e criei minha família aqui. Pensar que o rio pode ser de novo tão bonito como já foi um dia é um sonho”, disse ela. O casal mora em Área de Preservação Permanente (APP) e já perdeu uma casa em um desmoronamento do barranco.

 “A Agecopa dará as mudas e toda a assistência técnica gratuitamente aos ribeirinhos. Quando as árvores estiverem plantadas, compraremos deles os créditos de carbono. Com esse projeto queremos a realização da primeira Copa Verde no mundo, aliando sustentabilidade à inclusão social”, destacou Eder Moraes.

O presidente destacou que R$ 710 mil reais serão repassados aos sitiantes como pagamento pelos serviços ambientais, o maior montante já pago diretamente à população no Brasil pelo trabalho ecossistêmico. A construção da Arena é a primeira construção que integra o projeto Copa Verde, mas outras obras também poderão ter a emissão de carbono neutralizada.

O governador do Estado, Silval Barbosa, pontuou que além de promover a sustentabilidade ambiental, é fundamental que pessoas que não têm acesso e que desconhecem a lei ambiental tenham a oportunidade de se adequar à legislação e de participar da promoção da preservação do meio ambiente. “O rio é a vida dessas pessoas e é muito importante levarmos a eles cidadania e educação ambiental”.

O prefeito de Santo Antônio de Leverger, Ugo Padilha, destacou que há muitos anos as populações que vivem no entorno do rio esperam por  uma iniciativa que dê a eles a chance de se adequar a legislação ambiental e recuperar as margens do rio Cuiabá. Durante o lançamento do programa, os anfitriões, Iria e Manoel assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público Estadual.

O projeto é realizado em parceria pela Agecopa e pelo Instituto Ação Verde, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). O superintendente da entidade, Paulo Borges, explicou que com base no projeto do estádio calculou-se a emissão de 711 mil toneladas de carbono para a construção da estrutura.

“Para cada tonelada de carbono emitida são necessárias sete árvores para compensação. Cada árvore nativa seqüestra em média 138 quilos de carbono no período de 30 anos”, disse Borges.  O projeto abrangerá propriedades rurais distribuídas por nove municípios do Estado, sendo os maiores Cuiabá e Várzea Grande.

Os diretores da Agecopa, Roberto França (Comunicação e Marketing), Yênes Magalhães (Planejamento), Jefferson de Castro (Orçamento e Finanças) e Yuri Bastos (Assuntos Estratégicos) também plantaram árvores nativas ao lado dos membros do Ministério Público Estadual, Ana Luiza Peterline e Domingos Sávio Barros de Arruda.

 
 
 

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