
Cristiano Dresch afirma que Corinthians deu “golpe no futebol brasileiro” em 2024
Presidente do Cuiabá critica gastos do clube paulista daquela temporada; valores em transferências chegaram aos R$ 172 milhões

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, voltou a endurecer o discurso com os clubes da Série A que possuem dívidas com o Dourado. Em entrevista ao portal Máquina do Esporte, o dirigente direcionou boa parte das críticas ao Corinthians, que ainda deve cerca de R$ 18 milhões ao clube mato-grossense pela contratação do volante Raniele, em 2024.
A equipe paulista voltou a apresentar atrasos nas parcelas do acordo, mesmo após o Cuiabá acionar a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para cobrar o cumprimento das obrigações financeiras.
Dresch criticou a postura do Corinthians na janela de transferências de 2024, quando o clube anunciou, ao longo de toda a temporada, um total de 18 reforços, com investimento aproximado de R$ 172,2 milhões em contratações (valores parcelados). Na avaliação do presidente do Dourado, a movimentação proporcionou uma vantagem competitiva significativa à equipe paulista.
"O Corinthians contratou muitos jogadores em 2024, transformou a equipe em uma equipe muito melhor do que aquela que começou o campeonato. Isso aí deu uma vantagem competitiva gigante para o Corinthians. Na época, eu usei a frase de que o Corinthians estava dando um golpe no futebol brasileiro, e foi justamente isso", afirmou.
O dirigente também apontou o caso de Raniele como exemplo dos prejuízos que a inadimplência pode causar aos clubes. A CNRD, órgão criado em 2016 para mediar conflitos no futebol, passou a atuar na questão após o caso chegar à esfera de resolução de disputas.
"Esse exemplo é usado até hoje, da contratação do Raniele. O Cuiabá acabou sendo rebaixado, ficou sem o jogador e sem o dinheiro", completou Dresch.
Além das cobranças, o presidente do Cuiabá projetou um cenário de dificuldades financeiras para o futebol brasileiro em 2027.
Segundo ele, diversos clubes da elite poderão enfrentar restrições no mercado de transferências por causa de pendências financeiras.
"A gente vai ter um ano muito turbulento, porque vários clubes serão proibidos de contratar atletas. Temos aí quatro clubes da Série A com obrigações a serem feitas dentro de 40 dias, pagamento de transferências, senão irão sofrer o transfer ban. Tem vários clubes da elite com o transfer ban ativo", finalizou.
O transfer ban é uma sanção que impede os clubes de registrar novos jogadores enquanto não regularizarem determinadas pendências. Para Dresch, a situação financeira de equipes da elite deve continuar no centro das discussões sobre a sustentabilidade do futebol brasileiro.
Outro ponto levantado pelo presidente do Cuiabá foi o fim das bets. Segundo o mandatário, que é crítico ferrenho do segmento, os times precisarão se reinventar nos próximos meses sem o patrocínio das casas de apostas.
"As bets, se elas voltarem, vão voltar com um investimento infinitamente menor ao que elas faziam antes. Os clubes vão ter que começar a viver sem bet", declarou.














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