Cuiabano Beto fala sobre a carreira
O site UOL publicou nesta quarta-feira uma entrevista com o cuiabano Joubert Araújo Martins, o Beto, meia que defendeu os grandes times do Rio de Janeiro, jogou na Europa e na seleção brasileira. O ex-jogador disse ter maior identificação com o Flamengo, revelou mágoa do Vasco e com o técnico Antonio Lopes, e também afirmou que poderia ter disputado a Copa do Mundo de 2002. Também citou seu curto envolvimento com o Operário de Várzea Grande.
Confira a entrevista na íntegra
UOL Esporte:
O que começou a fazer após parar de jogar futebol?
Beto:
Eu cheguei a ser convidado para fazer parte de um projeto no Operário-MT. Porém, não concordei com algumas coisas e resolvi voltar para o Rio. Quando retornei comecei a trabalhar como parceiro de empresários holandeses. Costumo intermediar as negociações. Eles me consultam sobre atletas disponíveis no mercado e eu faço as indicações.
UOL Esporte:
Você acredita que parou no momento certo? Alguns atletas como o Juninho Pernambucano chegaram à sua idade com um vigor invejável.
Beto:
Eu parei de jogar porque me desgastei com o futebol. Quando estava no Vasco (2008) sofri com a falta de respeito de algumas pessoas. Eu estava bem fisicamente e, de repente, o Antônio Lopes (técnico) passou a me deixar fora até mesmo dos coletivos. A torcida pedia por mim, mas ele não colocava para jogar. Era complicado sair do Recreio dos Bandeirantes (bairro da zona oeste do Rio) para não treinar. Quando o Tita assumiu o comando, a gente conversou e ele ficou de me dar uma nova oportunidade. Porém, eu já estava sem paciência e pedi para rescindir meu contrato.
UOL Esporte:
Você pretende trabalhar novamente em um clube como treinador ou dirigente?
Beto:
Não tenho esse desejo. Trabalhar como empresário é mais fácil lidar com as pessoas. O dia a dia de um clube pode ser bom, mas exige muito das pessoas. Prefiro manter essa distância.
UOL Esporte:
Quais foram os pontos mais altos da sua carreira?
Beto:
Dois momentos na minha carreira me marcaram muito. Minha passagem pelo Botafogo e pelo Flamengo. O Botafogo foi o começo de tudo e eu passei a ser conhecido nacionalmente. No Flamengo, eu vivi o auge da minha carreira porque em cinco anos no clube eu conquistei cinco títulos importantes e não perdi nenhuma final que disputei.
UOL Esporte:
Soube que você acertou com o Botafogo em uma negociação inusitada. Conte maiores detalhes.
Beto:
Quando eu estava no Dom Bosco, participei de um torneio no estado do Rio de Janeiro e meu time estava na chave do Botafogo. Quando acabou o jogo, um olheiro do Botafogo se interessou em mim. Na época, eu nem retornei para a minha cidade. Como o Dom Bosco precisa de jogadores e material, o Botafogo ofereceu um goleiro e 50 pares de chuteiras para me contratar. O detalhe é que os pares de chuteira foram pagos do meu bolso.
UOL Esporte:
O Campeonato Brasileiro de 1995 é um dos principais títulos da sua carreira. O que você guarda de recordação daquele grupo?
Beto:
Tudo aconteceu muito rápido na minha carreira. Despontei muito novo e tive a oportunidade de fazer parte daquele grupo. Eu era muito jovem e aqueles jogadores me abraçaram, principalmente os mais velhos como o Gottardo, Wagner e Sérgio Manoel. Naquela época eu perdi a minha mãe (dona Sebastiana) e eles me deram muito apoio. O baque foi muito grande, mas consegui me segurar.
UOL Esporte:
Mesmo tendo iniciado sua carreira no Botafogo, você nunca escondeu que era torcedor do Flamengo. Como foi a recepção da torcida do Vasco quando você acertou?
Beto:
Quando acertei com o Vasco, precisei participar de uma reunião na sede da Força Jovem (uma das principais torcidas organizadas do clube). Tinham cerca de 30 integrantes e muitos deixaram claro que eram contra a minha contratação. Na hora, eu expliquei para eles que era muito profissional e procuraria honrar a camisa do Vasco. A única coisa que eu pedi era para eles não me agredirem nem depredar o meu carro. Caso contrário, minha reação poderia ser diferente.
UOL Esporte:
Qual foi a reação dos torcedores? Eles passaram confiança para você?
Beto:
Eles ficaram desconfiados, mas passaram apoio. Na minha apresentação oficial, alguns integrantes estavam na sala e me deram uma camisa da torcida. Eu acabei vestindo e posei para algumas fotos. Depois disso, nunca mais foi hostilizado por eles. Até hoje alguns vascaínos pedem para eu jogar pelo time deles.
UOL Esporte:
Você pertence ao pequeno hall de atletas que jogaram pelos quatros grandes clubes do Rio de Janeiro (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco). Qual é o segredo para você ter o respeito de todos os torcedores?
Beto:
Sinto muito orgulho e satisfação por ter tido a oportunidade de jogar pelos quatro clubes. É gratificante ter conseguido jogar bem nos clubes. Eu só não conquistei alguma coisa pelo Fluminense. Mesmo assim, porque nos roubaram na semifinal de 2002. Claramente o César foi empurrado pelo Guilherme no primeiro gol (O Corinthians venceu o Fluminense por 3 a 2 no segundo jogo da semifinal do Brasileirão).
UOL Esporte:
Você nunca escondeu que gostava de ir para a noite. De alguma forma isso acabou atrapalhando seu rendimento?
Beto:
Não, porque eu saía quando podia. Às vezes a gente concentrava dois, três dias seguidos. Qual é o problema do jogador sair na folga dele? Porém, isso nunca me atrapalhou. Caso eu não me cuidasse, me prejudicaria.
UOL Esporte:
Você se sente frustrado por não ter conseguido se firmar no futebol europeu e ter tido uma maior sequência na seleção brasileira?
Beto:
Quando eu me transferi para o Napoli eu tinha apenas 21 anos. Eu me adaptei bem ao futebol italiano, mas a proposta do Grêmio para eu retornar era muito boa. Na época, o dólar estava “um para um.” Em relação a seleção brasileira, eu fiquei chateado por não ter disputado uma Copa do Mundo. Em 2002, eu estava no auge na minha carreira e poderia ter sido lembrado.














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