Dia dos Pais
Uma data que nos ajuda a entender o sentido do futebol
Quando seu primogênito nasceu, o pai todo orgulhoso já foi logo colocando os sapatinhos tricolores e uma manta com as três cores do Fluminense.
Passaram-se os anos e a década de 80 lhe trouxe surpresas, ainda tomado pela alegria da máquina tricolor e o surgimento do casal 20, o pai não entendia porque seu filho queria ver o Zico jogar, ir aos domingos no Maracanã para comemorar gol de Nunes e ver o time bailar.
Dia de FlaxFlu lá estavam os dois, lado a lado, pela rampa do Bellini até cada um pegar seu lado nas arquibancadas.
O pai se perguntava onde foi que ele errou, desde sempre ensinou ao filho que ídolo era Rivelino, Edinho, Assis, Romerito entre outros, mas nunca falou mal do Zico, muito menos do Flamengo, admirou o Botafogo de 60, porém a paixão era das 3 cores, mas com seu filho algo tinha dado errado.
Pelo lado do filho, jovem e vitorioso, dizia que ele sim estava corrigindo um erro da família, ser tricolor era bom, mas ser rubro negro era muito melhor. E os anos 80 e 90 provaram isso, era só alegria de um lado da casa e do outro muita choradeira.
O filho tão entusiasmado que era comprou logo uma cadeira cativa do Maracanã e depois de ver tantos títulos cariocas, brasileiros e novos ídolos surgirem como Romário e Bebeto, convidou o pai para um FlaxFlu.
Final do Carioca em 95, 100 anos de Flamengo, Romário no ataque, era certo mais um título para a Gávea. Mas quis o destino que depois de 10 anos, exatos 10 anos sem título, o Flu ganharia aquela final que ficou conhecida como O Gol de Barriga. Da frustração da derrota veio a alegria de ver seu pai tão feliz, por 10 anos ele não via o velho com aquele sorriso de campeão.
Em 2000, o filho virou pai, o pai virou avô e o neto/filho saiu da maternidade vestido de rubro negro, mas ao chegar em casa aquela mesma manta tricolor o esperava nos braços do pai, agora avô.
A disputa para ver qual lado o menino iria puxar era intensa, a mãe já não aguentava mais, a avó dividida naquela guerra dizia que o neto poderia ser os dois e em dia de FlaxFlu o melhor era ir a praia.
Até que em 2010, dias depois daquele jogo em que o Brasil perdeu para Holanda o avô foi embora, deixou este mundo. No enterro, o neto, se aproximou do caixão e cochichou alguma coisa no ouvido do avô antes de cobri-lo com sua mantra tricolor.
Não se sabe o que o neto disse naquele momento, mas o Flu foi campeão brasileiro, e 2 anos depois ganhou o tetra.
O antes filho, agora pai, viu que com a morte do avô o filho tinha se decidido para qual time torcer e assim seria, quando em 2014, o Flamengo em último lugar do campeonato e o Flu no G4, o filho faz um pedido a ele.
Pai quero ir em todos os jogos do mengão no Maracanã. O pai sem entender, olhando para o garoto, não resistiu e pergunta o porque daquilo, já que o Fla estava tão mal e o Flu tão bem.
Ano passado o Flu caiu pai, foi a maior tristeza da minha vida, sorte que o Fla e a Portuguesa erraram e nós voltamos, mas não quero que você sinta isso, não quero ver você na segunda, quero ver FlaxFlu contigo sempre na primeira divisão. Responde o filho, seguido de um abraço apertado ao pai.
No dia seguinte o pai chega em casa com uma camisa do Fla, assinada pelo Zico e um par de ingressos para o jogo de domingo.
Maracanã lotado, todos cantando e empurrando o time, o filho se espanta e pergunta. O mengo em último e o maraca lotado? Isso é ser Flamengo meu filho, responde o pai.
A vitória também não poderia ser mais rubro negra, na raça, no fim, no amor.
A arquibancada vibra como nunca vibrou nesse novo Maracanã, era a volta da torcida rubro negra e do seu time de raça, amor e paixão.
O garoto sente na veia o sangue rubro negro da família, o pai chora de emoção e agradece ao filho pelo melhor dia dos pais da sua vida.
Foto: André Durão














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