Estrela decadente
O caixão preto com uma cruz branca carregado pela massa tricolor no último sábado
no lado sul do Estádio Mário Filho já anunciara a queda antecipada daquele caricato
clube da cidade do Rio de Janeiro, cheio de torcedores famosos, ilustres, anônimos e
apaixonados por uma estrela solitária.
Mas ainda restava a tal da esperança, essa que nunca se acaba, que vai contra os
números, a técnica e a superioridade.
A esperança é a aposta para o grupo de jogadores, quase amadores, pela pouca
técnica e por não receber salários para estarem ali defendendo as duas cores do
Botafogo.
Do outro lado encontra-se o inimigo e a inspiração.
O inimigo durante aqueles que seriam 90 minutos de pressão, do ataque contra a
defesa, e diferente da força aérea londrina durante a Segunda Guerra, que além de
se defender dos ataques de Hitler, ainda saiu de seu campo e foi até o rival vingar- se, neste sábado no Maracanã, o ataque de tanto bombardear a área inimiga acabou
acertando o tiro fatal na cabeçada do regular Edson.
Fluminense 1 a 0, assim acabou o clássico vovô e assim acaba também o
campeonato para o Botafogo.
As chances matemáticas ainda existem, ai começa a história do porque o Fluminense
era o inimigo e agora é a inspiração.
O sintomático motor motivacional alvinegro é olhar para o ano de 2009 e tirar de lá
a lição do Fluminense que em 6 jogos restantes venceu 5 e empatou 1, se o Botafogo
fizer o mesmo faltando 4 jogos(ganhar 3, empatar 1), talvez ele escape de cair para o
lugar que ninguém quer chegar, a segundona.
A diferença de 2009 para 2014, é que naquele momento a torcida tricolor jogava
junto com o time, comprou a ideia e esgotou os ingressos do antigo maraca em
todos os jogos decisivos, já os botafoguenses não vão ao estádio desde a Copa
Libertadores, que acabou no primeiro semestre, sábado por exemplo, dos 20 mil
presentes, acho que nem 10% eram torcedores do Botafogo.
Se não fosse suficiente esse abandono coletivo, o time da estrela solitária, não
tem uma estrela na sua esquadra, até existe, seria injustiça não lembrar do goleiro
Jéferson e reconhecer sua estrela de goleiro da seleção brasileira, porém o Botafogo
precisa vencer e goleiro não faz gol, aquele Fluminense de 2009 tinha o que tem
hoje, Fred, fazendo um gol por jogo, suficiente para livrar o time do rebaixamento.
Mais uma vez o futebol do Rio será representado na série B, dessa vez com dois
times, Macaé e Botafogo, e volto as minhas esperanças, para o Vasco subir, pois 3
times cariocas na segundona seria demais.
Foto: Paulo Sergio/ Photocâmera
DOIS TOQUES
Fluminense ganha jogando mal e perde jogando bem. Vai entender.
Flamengo de férias, levou 30 mil ao Maracanã, mais que FluxBota no jogo do ano,
para ambas equipes . Vai entender.
Vasco estava na sua pior crise, quando Eurico saiu e Dinamite chegou. Agora, em
outra crise, quem sai é o Dinamite, para a volta do Eurico. Vai entender.
Botafogo mandou embora no meio do campeonato 4 jogadores, seu melhor
zagueiro, seu melhor atacante e os dois laterais. Vai entender.














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