Fim da Festa
De volta ao país que pouco se falou de Copa do Mundo e que por muitas vezes nem
se percebia que estava acontecendo uma do outro lado do Atlântico, a festa para
acompanhar a semifinal com cara de final estava pronta para começar.
Dentro do belíssimo FolketstPark, a cidade de Malmo na Suécia, preparou uma
super festa, telão, churrasco de salsicha e hambúrguer, cerveja gelada e até
caipirinha podia se achar a um preço de 50 reais.
Para meu espanto encontrei brasileiros fazendo batucada e muitos suecos de verde
e amarelo prontos para o grande jogo, inacreditável, mas depois de andar por ai
sempre achando torcida contra, na noite de 8 de julho os gringos queriam ver o
Brasil ganhar.
É claro que os alemães estavam ao redor, menos explosivos como de costume, com
seu tradicional uniforme branco eles iam chegando e se acomodando sem barulho,
enquanto o lado brazuca fazia-se presente em alto e bom som.
Nem foi preciso meia hora de jogo para o barulho mudar de lado, no primeiro e
segundo gol os germânicos mantiveram o respeito pelo Brasil, porém a partir do
terceiro eles viram que o jogo estava ganho, e o carnaval no parque foi a base de
chucrute.
Os suecos procuravam por uma explicação, olhavam para a camisa amarela e para
nossa cara como quem pergunta, o que esta acontecendo?
Não somos mais o país do futebol
Brasil, país do futebol, samba, ginga, alegria de jogar bola, craques e mais craques
sendo fabricados todo ano, o país que encantou a Suécia em 1958, agora sofria na
sua própria casa, morria, agonizava naquela quente noite de inverno brasileiro.
Que golpe duro para os loiros sorridentes moradores de Malmo, ver a Alemanha do
futebol burocrático e as vezes chato, dar um show de bola na seleção penta campeã
mundial.
O país do futebol acabará ali, no meio do nada, perto do bairro onde a maior estrela
do futebol sueco deu seus primeiros chutes numa bola eu via a humilhação de ser
brasileiro exaltada nas palavras de muitas consoantes proferidas nas bocas cheias
de chorizos dos alemães.
Cinco a zero em menos de trinta minutos, isso não é futebol, isso não tem emoção,
a cada ataque alemão a sensação era que mais um gol sairia, até parecia um jogo de
hóquei, não de futebol.
A Suécia que desde 58 é encantada com o futebol brasileiro teve que engolir a festa
alemã dentro do seu quintal, por infelicidade do destino, foi a primeira partida
da copa que acompanhei com maioria torcendo para o Brasil, eles preparam-se
para ver um jogo de futebol de 90, 120 ou até os pênaltis com emoção, superação,
dedicação e o porque somos o país fo futebol. Ao contrario disso viram a Alemanha
invadir seu território, puxar suas mulheres para sambar e sair as ruas cantarolando
algumas coisas impossíveis de entender, mas que com certeza traduz a alegria de se
chegar a mais uma final de copa do mundo, e quanto a nós, brasileiros, ficamos com
o sentimento de vergonha estampado na cara e uma sincera desculpa para o resto
do mundo. Não, nós não somos mais o país do futebol.














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