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Seleção Brasileira

30 de outubro de 2026 às 16:51:22

Kayo Henrique

Histórias de FA V: Brincando e fotografando

25 de set. de 2011
5 min de leitura

A série Histórias de Futebol Americano volta a disponibilizar entrevistas que contarão sobre a vida dos “loucos” pelo esporte, descrevendo os feitos realizados por brasileiros que amam esta modalidade. As biografias poderão variar entre aventuras, dramas, cult, terror, romances, ficções ou comédias. Todas serão relatadas e é claro com a ajuda de vocês, basta que enviem sugestões no e-mail que está no rodapé da história.

A primeira edição trouxe a história do Running Back Jordan “O menino crocodilo“, o segundo episódio “O pedido de casamento” feito durante o intervalo de uma partida, a terceira “Em busca dos sonhos” sobre a criatividade de alguém apaixonado pelo esporte e a quarta edição “Dançando para ser feliz” é sobre uma cheerleaders vegetariana e linda.

A protagonista deste quinto episódio é a advogada Bruna Bittencourt Silveira. A jovem de 24 anos (23/04/1987) tem três irmãos, três cães, a mãe é psicóloga, o pai é bancário e residem em Curitiba (PR). Bruna começou a fotografar futebol americano como um passatempo divertido dos fins de semana e agora isso mudou.

Como foi teu primeiro contato com o FA?

Bruna – “Conheci o Adan Rodrigues do Coritiba Crocodiles em uma festa à fantasia. Na época mantivemos contato via internet. Um tempo depois o Adan contou que jogava FA e que haveria o torneio de seleções (2008) e participaria. Foi então que explicou as regras e convidou para assistir os jogos. Em um desses jogos levei a câmera para fotografar e não larguei mais. Logo passei a viajar com os times para tiras as fotos dos jogos”

Como eram as viagens?

Bruna – “Os meninos antes se comportavam bastante para não falar bobagem na minha frente e hoje já não ligam mais em ter uma menina no ônibus. Aquele esporte que via no campo passei a ver pelos bastidores, a união, a raça e as dores do pós-jogo. Agora se não me vêem em alguma viagem ou na sideline acham estranho e procuram para perguntar porque faltei.”

O que achou do convívio com os times?

Bruna – “Comecei a conhecer mais e mais as pessoas nas quais até então apenas fotografava. Hoje tenho amigos verdadeiros dentro de campo. Criei vínculos, intimidades e amizades para a vida toda.”

“Tenho um bom relacionamento com times do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro. Viajo com eles e tenho amigos pessoais. Vamos a bares e festas. Em jogos em outros estados fico na casa desses amigos.

Como se desenvolveu esse hobby de fotografar?

Bruna – “No começo usava uma câmera muito primitiva, mas mesmo assim o pessoal foi gostando das fotos e fui indo jogo após jogo. O Adan é o presidente da FPFA (Federação Paranaense de Futebol Americano) e foi ele quem abriu as portas. Fotografei em 2009 o torneio paranaense e o torneio touchdown. Em 2010 fotografei o torneio de seleções realizado em Curitiba, o II torneio paranaense e a LBFA (Liga Brasileira de Futebol Americano). Assim fui indo, não sou remunerada e viajo mesmo porque amo o FA. As fotos são publicadas pelos times, pela LBFA, pelo site do Coritiba Football Club, pela FPFA, sideline e outros.”

Alguma pretensão profissional para esse hobby?

Bruna – “Pretendo ganhar o concurso desse ano realizado pela Afab (Associação de Futebol Americano do Brasil) e se deus quiser começar a ganhar algum dinheiro com esse hobby que tanto amo. Ser reconhecida pelos jogadores pelo meu trabalho. Já penei muito e já tirei muito dinheiro do bolso para acompanhar isso tudo.”

Pretende largar o direito para virar fotógrafa de esportes?

Bruna – “Claro! Se isso desse certo seria demais! Mas só fotografaria Futebol Americano.”

O que é fotografar para você?

Bruna – “Fotografar é estar perto de tudo aquilo que me agrada. O FA é liberdade, é treinamento, é coragem, união, determinação, pancada, touchdowns, é não sair para uma noitada porque tem jogo para fotografar no dia seguinte. Ver isso tudo nas fotos dá uma sensação tão boa que não saberia explicar.”

Possui algum outro hobby?

Bruna – “Hipismo, amo e pratico desde criança. Comecei aos quatro anos e quando tinha 10 e 11 fui bicampeã paranaense de hipismo. Adoro música sertaneja e rodeios. Também joguei futebol americano no Curitiba Harpies em 2009 e 2010.”

Memória mais marcante nesses jogos?

Bruna – “Foi o dia em que um dos meus melhores amigos, o Pedrão (Storm), quebrou a tíbia e a fíbola aqui em Curitiba. Fiquei uma semana com ele no hospital sendo secretária e enfermeira.”

“Outra foi quando o Bruninho Santucci e o Adan Rodriguez esconderam meu sanduíche após um jogo e fui brigar com a mulher que mandou os lanches. Briguei, briguei, falei pra mulher que ela me mandou só a caixa vazia sem sanduíche e ai ela deu outro. Quando percebi que eram eles que tinham escondido e comido o sanduíche demos muitas risadas.”

Você já aprontou alguma para os atletas?

Bruna – “Sim! Sim! Nada muito travesso, mas nas viagens escondi muletas de machucados, passei maquiagem na cara de jogador enquanto dormia, grudei chiclete, guerra de doce de leite, festa de aniversário, sempre tem dessas travessuras.”

“Em uma das viagens com o Crocodiles um jogador da OL dormia de boca aberta roncando alto e eu não agüentava mais. Cutucavam para ele parar, pois parecia um trator. Então peguei o chiclete que tinha na boca e inventei de colocar na dele para ver se ele acordava e parava de roncar. Só que teve um jogador bonzinho que acordou ele com medo de que engasgasse. Quando foi acordado foi justamente o que aconteceu, engasgou e rimos muito.”

“Teve um dia que resolvi brincar de lançar a bola com um jogador do Croco, isso no parque onde treinam e lá têm muitas capivaras nada dosséis. Para zuar lancei com mais força e a bola acabou indo para o lado de uma família de capivaras. Cercaram ele de um jeito que resolvi ir ajudar. Foi então que levamos um corridão das capivaras que o parque todo parou para olhar e rir da gente.”

“Todo mundo ri quando digo que vou casar em um campo de futebol americano”

Alguma vez passou por algum aperto?

Bruna – “Alguns. Uma vez indo para um jogo, em Balsa Nova (PR), eu e Pink nos perdemos. Não havia ninguém no caminho para pedir informações e o carro começou a fazer barulhos, resolvemos estacionar, abrir o capo e ficamos mexendo pra ver se o barulho parava. Na estrada de chão vinham três capuchinhos (espécie de monge), falamos com eles sobre o carro e o local do jogo. Um deles abriu a bolsa e começou a arrumar o carro, o barulho parou e demos carona para os capuchinhos. Depois contando para as pessoas que demos carona para os monges ninguém acreditava. A gente sempre se perde nesses jogos fora de Curitiba e cada vez é uma história diferente. Nunca vou esquecer dos capuchinhos.”

Para qual time você torce?

Bruna – “Não poderia dizer exatamente para quem torço, tenho que ser imparcial, pois estou nas sidelines desse brasilzão. Mas confesso que gosto muito do Crocodiles e do São Paulo Storm. Simpatizo muito com eles.”

Tem algo que queira dizer?

Bruna – “Quero viajar o Brasil todo fotografando e conhecendo as diferenças regionais do futebol americano. O Sul e o Sudeste estão pequenos demais para mim. Pretendo viajar fotografando e faço isso porque não consigo sentar numa arquibancada e assistir a um jogo. E só mesmo doente para não ir a uma partida. Meu lugar é na sideline.”

Considerações finais?

Bruna – “Aprendi que cada jogo é um jogo. Não importa quem seja o adversário é preciso saber vencer e saber perder com dignidade. Jogar limpo e sair de cabeça em pé sem esmorecer.”


Por Junior Martins

 
 
 

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