Histórias de Futebol Americano III – “Em busca dos sonhos”
A série Histórias de Futebol Americano disponibilizará entrevistas que contarão a vida dos “loucos” pelo esporte, descrevendo os feitos realizados por brasileiros que amam esta modalidade. As biografias poderão variar entre aventuras, dramas, cult, terror, romances, ficções ou comédias. Todas serão relatadas e é claro com a ajuda de vocês, basta que enviem sugestões no e-mail que está no rodapé da história.
A primeira edição trouxe a história do Running Back Jordan “O menino crocodilo”, o segundo episódio “O pedido de casamento”, feito pelo atleta André Coronil para a namorada Karina Fontana no intervalo de um jogo da Liga Brasileira de Futebol Americano. Esta edição traz a história “Em busca dos sonhos”, a qual conta o quanto forte é a paixão pelo esporte e o quanto criativo pode ser um sonhador em buscando dos seus sonhos.
O Tangará Taurus é o terceiro time de futebol americano do Mato Grosso, a equipe foi fundada em seis de fevereiro de 2010, no município de Tangará da Serra. O protagonista desta história chama-se Lee Romantiezer Vieira Jorge, presidente, coach e quarterback do Taurus. O atleta possui 22 anos (18/12/1988), usa a camisa número cinco, tem 73 kg e 1,80 de altura.
Qual foi teu primeiro contato com este esporte?
Lee
– Foi no final de 2007 (tinha 18 anos). Morava no bairro Quilombo, atrás do Colégio Liceu Cuiabano, em Cuiabá. Eu e um amigo havíamos combinado de ir treinar com o Cuiabá Arsenal, mas acabamos indo apenas depois que o Thiago Prado LB #9 nos convidou.
O que fazia na época? E o que teus pais achavam do FA?
Lee
– Era um estudante. Meus pais são separados, eu morava com minha mãe. Quando comecei a jogar ela não gostou nenhum pouco, pois era muito magro e mãe é mãe. Depois de alguns treinos ela proibiu totalmente, disse que enquanto estivesse embaixo do teto dela, filho dela não iria ficar se machucando com jogo de louco.
Tua mãe havia proibido você de treinar, a partir disso o que fez?
Lee
– Trata-se do que não fiz. Aquilo era um sonho para mim, não iria parar e não parei. Apenas para ela havia parado.
Como fazia para ir aos treinos?
Lee
– Costumava ir de ônibus ou andando, eram aproximadamente 10 quilômetros em 1 hora de caminhada.
O que dizia para ela quando tinha que ir para os treinos?
Lee
– Dizia que estava indo na casa de um amigo ou algum evento na escola, churrasco, trabalho, de tudo um pouco, mas nada relacionado com esporte para nem passar pela cabeça dela. Eu aparecia com escoriações, ralados e sempre inventava alguma desculpa. Porém um dia machuquei sério, estava jogando e quando fui dar um Tackle fiz errado. Torci o joelho esquerdo e dessa vez não tive como esconder.
Qual foi a história mais criativa que inventou para ir aos treinos?
Lee
– Foram muitas, mas teve uma que lembro. Disse que uma amiga que morava na África estava se mudando para Cuiabá para estudar. Então eu ficaria a tarde toda ajudando ela a fazer a mudança junto com uns amigos (risadas). Não sei de onde tirei essa história, e eram todas inventadas na hora.
O que aconteceu depois da torção?
Lee
– Fiquei dois dias internado, porque a dor era insuportável. Depois tive que ficar aproximadamente quatro meses parado. Minha mãe ficou um amor quando cheguei em casa gemendo de dor, mas depois quase me comeu vivo, ligou pro meu pai e tudo. Quando me recuperei voltei a jogar.
Voltou aos treinos com o consentimento dela?
Lee
– Ela proibiu mais ainda, mas conversamos e expliquei o quanto o esporte era importante para mim. Então ela permitiu, sem muita alegria, mas aceitou. No entanto, mandou continuar indo para os treinos andando (risadas). Acho que era para ver se eu desistia. Continuei treinando no Arsenal até o começo de 2009 e me mudei para Tangará da Serra por motivos pessoais e profissionais. Quase morri, pois o Arsenal era uma das coisas que mais me encantava em Cuiabá.
Como foi quando mudou para Tangará?
Lee
– Estava muito triste, porque era muita distância para ficar viajando todo fim de semana (240 km). Até cogitei essa hipótese com meu pai, mas ele não gostou da ideia. Porém meu melhor amigo, Guedes, que treinava comigo no Arsenal também estava morando em Tangará. Então comprei uma bola e chamamos alguns amigos dele, pois eu ainda não conhecia ninguém.
Foi esta a origem do Tangará Taurus?
Lee
– Foi assim que começamos a luta para montar o Tangará Taurus. No início passei a impressão para todos de que era apenas diversão, uma brincadeira de ficar jogando bola uns para os outros. Mas o plano era montar um time de Futebol Americano. Este era o meu sonho.
Como foi para montar o Taurus?
Lee
– Começamos com uma bola, jogando na rua em frente da casa de um amigo e tomando tereré. Depois começamos a procurar mais espaço. Chamávamos todas as pessoas próximas e colocávamos todo mundo para correr com a bola. Sempre que olhávamos para alguém ficávamos imaginando em qual posição ela jogaria melhor. Foi bem difícil, porém com força de vontade e persistência montamos um time de amigos. A conquista foi prazerosa.
Teve algum momento crítico em que o time correu o risco de terminar?
Lee
– Nunca! E mesmo que todos os jogadores desistissem do time, eu procuraria outros para jogar. Nunca vou desistir desse time.
O que aconteceu com teu amigo Guedes?
Lee
– Ele morreu no começo deste ano em um acidente (2011). O time começou comigo e com o Guedes. Um dia ele resolveu se aventurar a viajar de Tangará para Cuiabá de moto. Ele ia passar as férias com a mãe dele. Era noite e estava chovendo, ele não conseguiu parar a moto e colidiu com uma estrutura de ferro. A morte dele foi um choque para todos.
O falecimento do Guedes afetou o andamento do time?
Lee
– Não! Pelo contrário, ele era um cara muito alegre e motivador, sabíamos que ele diria para nunca parar. Mesmo após a morte dele, ele continua influenciando o time.
A equipe conta hoje com quantos atletas e equipamentos?
Lee
– Contamos com aproximadamente 30 atletas frequentes e temos oito Helmets e dez Shoulder Pads. Também temos alguns projetos de aparelhos para treinos que estão saindo do papel.
O que tua mãe achou de você ter montado um time desse esporte de “loucos”?
Lee
– Continua não gostando, mas não fala mais nada. Tem vezes que ela faz algum elogio.
O Taurus ainda não participou de nenhum campeonato, quando pretendem fazer isso e em que torneio querer jogar?
Lee
– Quando nossa estrutura estiver preparada iremos competir. O time é ótimo, mas ainda não temos equipamentos suficientes. Feito isso iremos participar da competição que tiver os melhores times e a melhor organização.
Sonhos?
Lee
– Meu sonho como profissional é ser um advogado de renome. Hoje eu curso o 4º semestre de Direito na Universidade de Cuiabá (Unic) e trabalho no setor de garantia de uma concessionária. Logo vou migrar para algo na área do Direito. Meus sonhos para com o time, são de ver meus maiores amigos participando dele, sendo vencedores comigo, e de ver o Taurus totalmente equipado, e participando dos principais campeonatos brasileiros.vence-los será consequência de nossa dedicação aos treinamentos e qualidade de jogo, porém não descarto esse sonho.
Considerações Finais:
Lee
– Não da para fazer um filme da minha história de futebol americano. Porém vejo muitas pessoas acomodadas sem batalhar pelo que querem. Elas também não enxergam o trabalho e a dedicação das pessoas que batalham. Graças a deus eu tive um sonho e corri atrás dele. Também tenho outros sonhos e estou correndo atrás. Não aceito ficar reclamando, é preciso ir atrás e fazer nossas conquistas.
Junior Martins – Jornalista e atleta campeão da Liga Brasileira (LBFA – Brasil Bowl I). Não sou membro da Assessoria de Comunicação das equipes de Futebol Americano.
E-mail: juniorsoaresmartins@gmail.com














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