Histórias de Futebol Americano IV – “Dançando para ser feliz”
A série Histórias de Futebol Americano disponibilizará entrevistas que contarão a vida dos “loucos” pelo esporte, descrevendo os feitos realizados por brasileiros que amam esta modalidade. As biografias poderão variar entre aventuras, dramas, cult, terror, romances, ficções ou comédias. Todas serão relatadas e é claro com a ajuda de vocês, basta que enviem sugestões no e-mail que está no rodapé da história.
A primeira edição trouxe a história do Running Back Jordan “O menino crocodilo”, o segundo episódio “O pedido de casamento”, feito por um atleta para sua namorada no intervalo de uma partida da Liga Brasileira de Futebol Americano. A terceira edição “Em busca dos sonhos” contou a saga de Lee Romantiezer para manter sua paixão. Neste 4º episódio a história “Dançando para ser feliz” contará sobre uma Cheerleaders e seu amor pela dança e o Futebol Americano.
CONFIRA AS FOTOS DAS HISTÓRIAS DE FUTEBOL AMERICANO:
O Coritiba Crocodiles é um time do Paraná, fundado em Curitiba no dia 26 de junho de 2003. Atualmente é o Campeão Estadual de Futebol Americano do Paraná (3 vezes) e tem uma parceria com o time de futebol Coritiba Football Club. A protagonista da história é a jovem Tatiani de Valois Lopes, 22 anos (29/06/1989), Cheerleaders do Coritiba Crocodiles.
Tati, como começou teu relacionamento com o Futebol Americano?
Tati –
Eu morava em Tatuí (SP) e mudei para Ponta Grossa (PR) em 2007, fui para o Paraná para estudar na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Em PG tinha um amigo que sabia que eu dançava e o time dele, o Tigers, iria fazer o primeiro jogo com equipamento completo da cidade. Eles queriam que o evento fosse perfeito, então fui convidada para montar o grupo de cheers e foi a primeira partida de futebol americano que assisti. Desde então sempre que posso vou a um jogo. Depois o Tigers se uniu com o Black Knights e viraram Ponta Grossa Phantoms.
Como foi essa primeira partida?
Tati –
Eu e as gurias não sabíamos como funcionavam as regras nem nada. Então ficava um guri do time ao nosso lado explicando quando a gente tinha que torcer (risada). Essa foi uma experiência muito válida, o FA acabou se tornando um dos meus esportes favoritos e gosto mais do que de futebol.
O que fazia quando morava em Tatuí?
Tati –
Além de ir para o colégio, jogava vôlei, dançava e fazia natação.
E o que faz em Ponta Grossa?
Tati –
Estou formando em Comércio Exterior e meu hobby é dançar e ler. Dançar em baladas, em companhias de dança, em times de futebol americano e dançar em casa (risada). Dancei ballet, jazz, street dance e contemporâneo por quase quatro anos numa companhia de dança de um clube em Tatuí.
Era corrido em Ponta Grossa, fazia 5º semestre na universidade no turno da manhã e estágio de tarde. Em 2008 participei de um programa de TV, corrida de aventura com conscientização ambiental, então de 15 em 15 dias viajava para gravar. Foi no final de 2008 que comecei com as cheers e fui até quase fim de 2009. Em 2010 entrei para a escola de circo.
Escola de circo?
Tati –
Desde criança sempre sonhei em fugir com o circo (risadas). Havia lido em uma notícia que a prefeitura de PG iria oferecer aulas de circo gratuitas, ai entrei nessa. Aprendemos de tudo, mas com o tempo nos especializamos naquilo que mais gostamos. Eu fiquei com os malabares e o tecido acrobático, mas também tínhamos dança.
Como começou a relação com o Crocodiles?
Tati –
Nesse primeiro jogo com o Tigers estavam presentes uns jogadores do Crocodiles e posteriormente vieram falar comigo. Como estávamos tendo alguns problemas com o Tigers, algumas ideias não estavam batendo, aproveitamos a oportunidade e mudamos definitivamente para o Coritiba Crocodiles. Nossa primeira partida com o Croco foi no dia 25 de outubro de 2008.
Como eram as Cheerleaders?
Tati –
No começo éramos cinco gurias de Ponta Grossa e ensaiávamos num espaço que rolava balada nos fins de semana. Dai começamos a divulgar na internet, como o Crocodiles é de Curitiba, fizemos uma seleção de gurias de Curitiba. Foram oito as meninas selecionadas, então treinávamos durante a semana em PG e todo sábado e domingo eu ia para Curitiba dar ensaio para as oito meninas. Nos ensaios tínhamos alongamentos, técnicas de ballet e coreografia. Durante todo tempo que estivemos como cheerleaders do Croco comparecemos em todos os jogos, inclusive quando eles foram jogar no Uruguai nós fomos juntos.
Como fazia para viajar todo fim de semana de PG para Curitiba (117 km)?
Tati –
Eu ia para os ensaios em Curitiba pedindo carona na estrada. Como tinha que ir todo fim de semana, e o time não tinha como bancar, era o jeito. Eu parava em um ponto que tem na estrada sentido Curitiba e ficava esperando alguém parar. Mas tem que ficar fazendo sinal (risadas).
Teve uma vez que estava chovendo muito e eu estava cheia de sacola de roupas usadas. Tinha rolado aquelas enchentes em Santa Catarina e o Croco estava juntando roupas para doar, então fui pegar carona com umas sacolas enormes (risadas). A sorte que parou uma família de van e me levou. Na volta eu vinha de ônibus, porque o ponto que pegava carona de Curitiba para PG era muito perigoso e é muito difícil ganhar carona das pessoas que saem de Curitiba. Já Ponta Grossa é uma cidade que tem muitos universitários e por isso o povo que passa já acostumou.
Nunca teve medo de pegar carona com um louco?
Tati –
(risadas) É a pergunta que todo mundo faz. Sempre pensei assim, se eu tiver medo vou atrair as coisas ruins. Então sempre fui muito tranquila e algumas vezes levava uma amiga.
Alguma outra aventura ou curiosidade que queira contar?
Tati –
Há, aventuras é o que mais tenho. No começo deste ano fui para o Piauí fazer trabalho voluntário. Também sou vegetariana, tenho tanto amor pelos animais que não consigo comê-los (risada).
Como foi esse trabalho voluntário?
Tati –
Era um projeto do Ministério da Defesa, se chama projeto Rondon. Você tem que escrever um projeto de melhoria para uma cidade que o Ministério da Defesa escolhe e esse projeto concorre com várias universidades. Se ele for aceito você vai para a cidade aplicar. Então fui eu e mais um grupo de estudantes da UEPG, estudantes de várias áreas. Nosso grupo era de oito pessoas e cada estudante dava quatro oficinas diferentes, eu dei as oficinas de economia familiar, oficina de motivação pessoal e profissional, oficina de dança e de reciclagem. Ensinei como abrir empresa, melhorar a empresa, exportar, fazer sabonete com leite de cabra e a fazer coisas para a casa com papelão, caixinha de leite e lata.
Como foi a viagem para o Uruguai?
Tati –
Nossa! Essa é a minha lembrança mais marcante do Croco. Fomos e voltamos de ônibus, a ida foi 30 horas e a volta umas 24. Chegamos em Montevideo de manhã, foi o tempo de tomar banho, dar uma volta no centro, almoçar e ir para o campo. Chegamos lá com uma coreografia nova que ninguém tinha visto, com a música “Brasil, mostra a tua cara”, quando colocamos o CD com a música ele não tocava, tivemos que dançar outra coreografia de última hora. A grama deles era muito seca, voltamos para casa com as mãos, os braços e as pernas cheias de espinhos e toda arranhada. O jogo terminou e fomos embora. Foi naquele dia o principal momento em que me senti parte daquele time e naquele dia que descobri que realmente tinha amigos de verdade dentro do Croco.
Quais são os planos para as Cheers?
Tati –
Assim que estivermos com o grupo novamente estabelecido é animar mais do que antes, pois a torcida do Croco é extremamente animada e participativa, então é embalar os intervalos com coreografias cada vez mais inovadoras.
O que acha do Futebol Americano?
Tati –
Acho o máximo, amo de paixão mesmo e torço muito para que de super certo no Brasil. Sempre faço de tudo para poder ir aos jogos e uma coisa é certa, serei Crocodiles eternamente.
Considerações finais:
Tati –
Aprendi que a gente tem que fazer sempre o que o coração pede. A gente aprende muito nessa vida quando faz aquilo que ama e aprende que os melhores amigos estão onde você menos espera. Não pode ter medo de ser feliz.
Junior Martins
– Jornalista e atleta campeão da Liga Brasileira de Futebol Americano. E-mail: juniorsoaresmartins@gmail.com














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