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Seleção Brasileira

30 de outubro de 2026 às 16:51:22

Kayo Henrique

Meu primeiro Fla x Flu – COLUNA

15 de mai. de 2014
3 min de leitura

Para falar do meu primeiro Fla x Flu, antes tenho que apresentar tio Mario e tia Cacilda. Que na verdade eram meus tios avós, moravam no Rio, Copacabana, não tinham filhos devido a uma caxumba na adolescência do tio Mario, e assim a maior paixão do casal era o Flamengo.

Tio Mario era mais conservador quando o assunto era torcer. Aquele time do Flamengo no meu primeiro Fla x Flu era o melhor time do Brasil que há pouco tempo tinha conquistado o Mundial de Clubes, porém mesmo assim tio Mario era cauteloso nas suas afirmações.

Já tia Cacilda era torcedora de carteirinha, terminava amizade se falassem mal do Zico (coisa que meu avô fazia sempre), ela xingava, berrava e sobrava até para a coitada da televisão que tomava uns tapas a cada chute desperdiçado de Nunes.

Eu ainda morava em Cuiabá, e , como sempre fazia, vim para o Rio de Janeiro passar as férias com meus avós. Não me perguntem o porquê, mas o campeonato carioca de 1983 estava sendo decidido em dezembro e aquele Fla x Flu do dia 11, não era uma final, pelo menos se o Flamengo ganhasse ainda iria decidir com o Bangu, para o Fluminense uma vitória lhe daria o título, uma derrota era o fim.

Decidimos que iríamos nós quatro. Meu avô, tio Mario, tia Cacilda e eu, ou seja, dois Flamenguistas e dois tricolores. Minha avó era acusada por meu avô de torcer para o Flamengo por debaixo dos panos, então prevendo algo pior ela preferiu ficar em casa. E lá fomos nós em um Passat, quatro portas, vermelho, que na época era exportado para o Iraque, eu achava o máximo aquele carro.

Do jogo pouco me lembro, mas do Maracanã, daquelas centenas de milhares de pessoas, de um lado vermelho e preto, do outro as bandeiras tricolores levantavam o pó de arroz que cobria o lado sul do Maracanã. A geral era uma mistura de gente, fantasias, rádios de pilha, família, cachorro e papagaio, tinha de tudo naquele jogo, foi a minha primeira vez no maior do mundo, num Fla x Flu que decidiria o campeonato e também a primeira e única vez que me sentei nas cadeiras especiais do lado das cabines de TVs.

Eram 90 mil pessoas, tudo cheio, o jogo se arrastava no zero a zero, para o Flamengo era uma mão na taça, pois bastava ganhar do Bangu, para o Fluminense era o fim da linha. Tia Cacilda gritava feito doida: “toca pro Zico, chuta Nunes, tira dai Leandro”. Ao lado dela tio Mario já soltava risadas e provocava os tricolores ao redor, inclusive meu avô, que a essa altura já tinha se levantado para ir ao banheiro, comprar alguma coisa ou sei lá o que, mas Dr. Cid não conseguia ficar ali sentado vendo o Fluminense perder tantos gols assim.

Aos 45 minutos do segundo tempo, quando meus tios já berravam ao meu lado, eu querendo achar meu avô para sair dali o mais rápido possível, vem um contra ataque do Flamengo, tia Cacilda aos berros pedia para tocar para o Adílio e quando senti o pior, o juiz deu impedimento.

Delei bateu rápido e achou Assis sozinho na direita, o mulato de quase 1,90m, das pernas desajeitadas corre na direção do gol, invade a área, eu fiquei de pé, subi na cadeira, e quando olhei entre os cabeçudos a minha frente “poomm”.

Chute por debaixo das pernas de Raul Plasma, gol do Fluminense, o lado sul do Maracanã em festa, Dr. Cid desce as escadas em nossa direção com a mesma classe e fidalguia de sempre, porém com o sorriso cínico no canto da boca, me abraçou e no meu ouvido disse: “somos campeões”!!

 
 
 

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