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Seleção Brasileira

30 de outubro de 2026 às 16:51:22

Kayo Henrique

Minha fama de Mau

15 de mai. de 2011
2 min de leitura


“QUEM É O PUGILISTA BRASILEIRO QUE CONVIVE COM MIKE TYSON E OS SEUS POMBOS DE ESTIMAÇÃO”

“VÂMO COMÊ ESSES POMBOS, MÁRIO?”. “Isso aí é do homem”, responde um senhor português. A brincadeira se passa em uma casa de dois andares no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos. A pergunta foi feita pelo pugilista brasileiro Laudelino José Barros, o Lino, e a réplica veio do português Mário Costa, o proprietário do imóvel. Ambos estão no local de descanso de um dos maiores ídolos do boxe, Mike Tyson. É ele o dono das aves. Tudo começou ainda quando criança. Cansado de ser aborrecido e sofrer bullying na escola, o pequeno Tyson fugia das aulas para se esconder nos prédios abandonados do Brooklyn, em Nova York. Lá, o futuro campeão passava o dia alimentando pombos; com o tempo passou também a criá-los. Sua primeira briga de rua, inclusive, ocorreu depois de maltratarem um de seus pássaros. Depois da morte de Cus D’Amato em 1985, seu guardião legal, mentor e técnico, “Iron Mike” guardou as aves no espaço do amigo Mário Costa, um entusiasta do boxe, dono da casa-academia onde por vezes treina e se hospeda Laudelino Barros. “Every pombos estão aqui há uns 20 anos”, explica o português, misturando o inglês com o seu idioma. Costa é o responsável por tomar conta das “riquezas” de Tyson quando o ex-campeão está ausente e conta com o auxílio esporádico de Lino Barros.

Em sua primeira passagem pela academia de Nova Jersey, o cruzador brasileiro logo quis saber o que eram aqueles pombos. Tomou um susto quando soube da história. Era 2002 e ele estava acompanhado de Anderson “Pantera” Clayton e Agnaldo Nunes. Na época, quando Mike conheceu os pugilistas, apresentaram-lhe “Pantera” como “Mini Tyson”, mas o lendário campeão apenas respondeu: “Podem chamá-lo do que quiser, mas o cara mau em cima do ringue é você”, e apontou para Lino. Mário conta que o ex-campeão fi ca no ginásio da casa somente quando vê “o cara mau” treinando. Nascido na cidade turística de Bonito, no Mato Grosso, Laudelino Barros cresceu em Alto Alegre, no interior paulista, e aos 12 anos já trabalhava como cortador de cana para ajudar a família em uma clássica história de luta que não difere de tantas outras, a não ser pelo fato de o boxeador criar pombos na infância, coincidentemente, como seu herói. “Fazia rolo [troca] de pombos com os outros meninos”, recorda. Hoje, o que Lino Barros busca é outra semelhança com o ídolo Mike Tyson. Aos 34 anos, quase um veterano para a modalidade, ele está na categoria dos cruzadores (90,7 kg) na esperança de se tornar campeão mundial, o quinto boxeador do Brasil a atingir tal feito – atualmente ele é 4º do ranking da Organização Mundial de Boxe e 9º pela Associação Mundial, duas das quatro mais respeitadas entidades da modalidade. Com 33 vitórias no cartel, Lino aguarda ansioso por uma oportunidade de lutar pelo cobiçado cinturão.

POR GABRIEL LEÃO

 
 
 

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