O inimigo era outro
A sede por uma pint na volta a mais britânica das britânicas Londres fez nossa Copa ser mais Copa. O Pub Howl at the Moon, um remodelado bar, bem local, de Hoxton Street já se encontrava cheio, não de “cockney” como é chamado o inglês do leste de Londres, muito menos de imigrantes das colônias inglesas que estão mais preocupados com o críquete do que futebol.
Na rua franceses lembravam a demasiada abatida expressão da derrota, da confirmação da superioridade alemã, já dentro do aconchegante pub, loiros e loiras, bem verdade que alguns podia-se ver que eram de origem turca, bebiam descontroladamente e cantavam como em uma octoberfest.
E lá no meio de tudo isso estávamos nós.
Bravos brazucas de bandeira na mão, camisa no peito e o coração na ponta da chuteira. Logo aos sete minutos calamos eles com um gol de capitão, para calar também a boca de muito jornalista brasileiro.
A partir do gol do Monstro Thiago Silva, o pub virou brasileiro, éramos poucos que fizemos uma grande voz, regada por muita cerveja artesanal Camden Large e caipirinha.
Antes mesmo do segundo tempo o gerente já nos convidava para assistir a semifinal lá.
Claro que desconversamos, pois o segundo tempo estava para começar e salto alto é coisa de argentino.
Dito e feito, os alemães se empolgaram de novo, mesmo sem a Colômbia marcar eles gritavam como um gol, debochavam dos vacilos da defesa e ainda apostaram que contra a força germânica não vamos ter essa moleza.
Não sei de que moleza eles falavam, pois a Colômbia é um grande time, mas quando David Luiz acertou aquela falta, éramos 6 contra 20 do dobro do nosso tamanho.
Encaramos, desafiamos e pedimos respeito mostrando a mão aberta com os cinco dedos, cinco vezes campeão só tem um.
Quando já comemorávamos e aceitamos o convite de voltar lá no pub, a Colômbia marca e os alemães voltam.
Voltam e secam o Brasil por dez longos minutos, o que via nos olhos daqueles caras eram medo, o medo de pegar o Brasil com o estádio lotado, numa semifinal de copa do mundo na nossa terra.
A última comemoração da noite ficou por conta deles, com Neymar fora, eles sabem que as chances aumentam e nós sabemos que enfraquecemos, não só pelo jogador que é, mas também pela confiança que tem e sua função dentro de campo, nessa seleção ele não tem substituto, vamos jogar de forma diferente, seja lá como for, a guerra está declarada e agora já sabemos quem é o inimigo.














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