Olhar Esportivo conversa com juíz de Operário e Mixto
O árbitro Wagner Reway, tem 32 anos, é paranaense de Cascavel e mora desde os 8 anos de idade em Cuiabá. Em 2009 foi eleito árbitro revelação do campeonato brasileiro. Atualmente é aspirante ao quadro FIFA.
No último final de semana, Reway foi protagonista em um lance na partida entre Operário x Mixto, no qual anulou um gol do jogador Marcão (Operário), por colocar a mão na bola. Primeiro ele deu o gol, mas após se reunir com o assistente Fábio Rodrigo Rubinho, o lance foi anulado.
A polêmica está no fato de A) O árbitro pode revogar sua decisão, mesmo após vários minutos em que ela ocorreu? e B) Teria ocorrido interferência externa na decisão do juíz (imagem da TV)?
Olhar Esportivo conversou em exclusividade com Wagner, que nos explicou suas ações naqueles polêmicos cinco minutos no Dutrinha.
OE: Assistindo a partida, percebe-se que você hesita um pouco, então dá o gol após o bandeira correr para o meio, o que ocorreu ali?
Reway: Quando a bola foi lançada na área e entrou no gol, eu percebi algo estranho. A bola cabeceada sai com uma certa velocidade, quando bate na barriga ou braço, ela “morre”, foi essa a sensação que eu tive, dela ter entrado muito devagar no gol. Esse é o diferencial que os árbitros FIFA tentam passar pra gente, à s vezes, você não necessariamente viu, mas você percebe indícios de que algo de ilegal ocorreu. A maneira como a bola entrou foi um forte indício de irregularidade.
OE: Mas você deu o gol no primeiro momento. Certo?
Reway: O Fábio (bandeira) estava melhor posicionado para o lance do que eu, quando ele correu pro meio, eu hesitei porque tinha algo de muito estranho naquela jogada. Quando estava correndo para o meio, pensei que era melhor conversar com o assistente, pois ele podia não ter certeza e foi o que aconteceu.
OE: Vocês não tem comunicação eletrônica? Por que teve que se dirigir até ele?
Reway: Na hora do gol, ocorreu muito barulho, tentei me comunicar com o quarto árbitro e ele nem me ouviu. A comunicação eletrônica é para conversas curtas: impedimento, falta etc. Para um papo de um, dois minutos, em que vai se discutir um lance, é melhor pessoalmente, não custava nada eu me deslocar 20 metros.
OE: Algumas pessoas suspeitam que foi utilizada imagem da TV para chegar a uma conclusão. Isso procede?
Reway: É um desrespeito ao nosso trabalho. Infelizmente, toda pressão da ética e da boa conduta caí para o árbitro na partida. Ninguem critica um jogador por tentar fazer um gol de mão. Os esportes devem se pautar na lealdade, porém não é isso que acontece.
OE: E quanto a demora para tomar uma decisão?
Reway: Na regra está escrito que o condutor da partida (árbitro), pode demorar o tempo que for necessário para tomar uma decisão, desde que a bola não tenha entrado em jogo novamente. Acho que esse “burburinho” de interferência externa sempre haverá quando for uma partida televisionada e acontecer uma decisão mais demorada. É algo que não posso controlar.
OE: O senhor é a favor de um maior debate sobre o uso de mais recursos eletrônicos numa partida de futebol?
Reway: Não só eu, como a maioria dos profissionais de arbitragem e amantes do futebol. É algo que vai melhorar a vida de todos: torcedores, jogadores e árbitros. Só que precisa ser discutida com carinho pela FIFA, pois ocorreria uma série de mudanças nas regras.Tive a oportunidade de conhecer o juíz do jogo entre Alemanha x Inglaterra na Copa de 2010, em que a bola entrou quase um metro e ele não viu. É um excelente árbitro, mas não viu “fazer o quê?”. Estamos sujeitos a erros e a tecnologia viria para ajudar.
Foto: FutebolMT














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