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Seleção Brasileira

30 de outubro de 2026 às 16:51:22

Kayo Henrique

Palmeiras faz goleada no São Paulo

26 de mar. de 2015
3 min de leitura

 Os 4 minutos de 0x0 no Allianz Parque já mostravam grande intensidade do Palmeiras no 4-2-3-1: Dudu, Cristaldo e Rafael Marques pressionavam muito a saída de bola do São Paulo, dessa vez com Hudsom fazendo a saída de 3.

Pressionou 1, ensaiou 2, na terceira…um gol antológico de Robinho. E sim, um gol tático: Rogério recebia do zagueiro quando Dudu subiu pressão, tirando seu espaço e seu tempo de raciocínio. Isso induziu o goleiro ao erro – a chave do futebol moderno – e a bola caiu em Robinho, que estava flutuando nas costas dos volantes. Jogada de inteligência!

Com o placar favorável, o Palmeiras teve condições para se impor com marcação sufocante e rápida troca de passes. Lembrou o veneno do rival Corinthians naquele 1×0, ou o segundo tempo do Santos na Vila. Aos 9, Tolói foi expulso e o 4-4-2 britânico do São Paulo se desmanchou de vez contra o 4-2-3-1 de sempre do Verde, com Dudu e Robinho invertendo.

Aí o Palmeiras deslanchou: sem a bola, todo mundo marcando na intermediária e pressionando para recuperar rápido. Não parecia que o Verdão tinha 3 a mais? Simples: foi a superioridade numérica, palavrinha mágica pra mostrar como os jogadores correm para uma mesma região (onde a bola está). Olhe no frame e pense: não é mais fácil roubar a bola com 3 caras sufocando do que com 1?

O vigor verde matou Muricy, que viu um time muito lento: lento pra defender, lento pra atacar. Tempo é tudo! E o Palmeiras tornou o Tricolor mais lento ainda através de algo que Oswaldo treina muito: as viradas de jogo. O frame mostra 1 das 20 inversões do jogo. Observe que é Zé quem está com a bola e tem 2 são-paulinos marcando ele. Ele gira pra Lucas, do lado oposto. Olha o espaço que Lucas tem (vermelho) para dominar e fazer Carlinhos correr atrás dele.

Os 2×0 e pelo menos 3 boas chances perdidas mostram como a estratégia alviverde enganou o São Paulo: dava a bola de propósito, deixava os tricolores passarem do meio e roubava pra disparar ao ataque. Isso é futebol, mas poderia ser Sun Tzu, xadrez ou alguma estratégia de guerra: um esporte coletivo e tático.

Muricy colocou Centurión aberto pela esquerda no lugar do cada vez mais anacrônico Ganso e viu o 4-4-1 tricolor novamente ser engolido pela vontagem, inteligência e organização alviverde. Oswaldo deu rodagem a Gabriel Jesus e manteve o 4-2-3-1 com muitas trocas de posição.

O golaço de Rafael Marques é bom exemplo: Arouca e Gabriel apoiaram (não tem quem fica e quem marca, é mito! Os dois marcam, os dois apoiam) e recuperaram a segunda bola. Dudu fez o movimento correto de diagonal para a área e abriu o corredor para Zé, que cruzou. Rafael Marques pensou corretamente a jogada e se posicionou entre Edson Silva e Denílson, ficando livre para correr em direção a bola no cruzamento de Zé e marcar.

Hoje, futebol é mais cabeça que pés, mais tática que técnica e Rafael é esse jogador moderno! Foi o que o blog disse em 12 de janeiro – muito antes dos 2 gols. As críticas eram injustas.

Após o 3×0 o jogo caiu de ritmo, apesar dos 10,1km percorridos por Robinho – outro criticado, outro moderno – e os muitos gols perdidos, como a bela tabela de Gabriel (viu como ele não é cão de guarda? chega disso, né!). Foram 417 passes contra 305 do São Paulo e 22 desarmes, o dobro do rival.

Os números que falam, os campinhos dizem. Se forem interpretados, eles informam: antes desse jogo, o Palmeiras finalizava uma média de 10,52 vezes pra fazer um gol. Então o problema não era o esquema, técnico ou jogador….era finalizar melhor. Adivinha o que Oswaldo treinou antes do choque-rei? Finalização. E adivinha quem foi o melhor finalizador da partida? Rafael Marques.

Futebol é uma ciência onde se estuda, verifica erros, pratica e mantém até acertar. Mais do que nunca, é preciso ir além do senso-comum e do chavão para abrir a mente, expandí-la a um novo conhecimento! E calma, entendimento, empatia:  nada garante que o próximo jogo será perfeito também, afinal, o Verdão continua sendo um time em montagem.

Se o São Paulo já sente em campo a falta de intensidade dos treinos de Muricy, o Palmeiras usufruiu do melhor que a tecnologia pode oferecer para a comissão técnica de Oswaldo. O problema era clássico? Pronto. Hora de comemorar e deixar Oswaldo de Oliveira trabalhar em paz.

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