Sonho de Criança
Desde que era garoto, muito pequeno, jogando bola de meia pelas ruas do bairro Peixoto, um lugar escondido em Copacabana, Marco Aurélio era reconhecido no meio da baixotada como um garoto de futuro no desconhecido futebol.
Seu pai o Dr. Ardelindor, nem gostava de ouvir falar na palavra bola, tinha horror, não sabia de onde diabos seu filho tinha tirado aquela habilidade espantosa com ambas as pernas. Certa noite, após o jantar, a família recebera a visita de Joaquim, frequentador de longas datas naquela casa, que estava convencido em levar o Marquinhos, seu afilhado, para treinar no Fluminense, um dos primeiros clubes de futebol a surgir no Rio de Janeiro, então a Capital Federal do Brasil.
Nem pensar nisso jovem, não quero ouvir essa conversa novamente, o Marco Aurélio já treina REMO!! E é no Flamengo. Resmungava o Dr. se achando coberto de razão.
O futebol foi ganhando adeptos por todo o Brasil, mas apesar das tentativas de Joaquim, lá ia Marco Aurélio para mais uma competição de remo, sendo campeão infantil pelo Flamengo. Até que um dia o time profissional do Fluminense, pulou o muro das Laranjeiras e caiu dentro da Gávea, montando assim o primeiro time de futebol profissional do Flamengo e Marquinhos agora terminava cedo seus treinos na lagoa para correr para o campo e assistir o treinamento de futebol.
Não demorou muito para Marco Aurélio passar a treinar futebol sem que seu pai desconfiasse que o garoto trocara os remos pela chuteira.
Mais uma vez Joaquim tentava persuadir aquela família e de surpresa convidou a todos para assistir uma partida de futebol, no recém inaugurado campo das Laranjeiras que receberia seu primeiro FlaxFlu, com muita gente fina, charutos e chapéus e o lencinho para torcer durante o jogo.
Infelizmente naquele fim de semana Marquinhos tinha ido para um acampamento de escoteiros e estava fora do Rio, porém mesmo assim o Dr. Ardelindor e sua charmosa esposa aceitaram o convite e no mais alto estilo modernista foram para a sede do Fluminense na Rua Álvaro Chaves.
Antes do jogo principal, jogava a preliminar os times juvenis de ambos os clubes, o jogo caminhava para o fim segundo tempo num zero a zero chato de se ver, que contrariava as expectativas cariocas para aquele novo jogo de onze contra onze, até que o Flamengo fez uma substituição, que chamou a atenção dos presentes pelo tamanho do garoto, com certeza uns dois anos a menos que o restante do time, a camisa parecia mais um vestido, o meião era uma calça, mas nada disso importaria após o primeiro toque na bola do garoto.
Que classe, que velocidade, que categoria. Quem era aquele menino que em 5 minutos em campo passou pela metade do time do Fluminense com se fossem estatuas e ainda driblou o goleiro antes de tocar com classe de gente grande para o fundo das redes.
Joaquim reconhecerá na mesma hora, pois já havia visto Marquinhos jogar e sabia do seu talento e capacidade, ao seu lado o Dr. batia palmas e gozava o compadre tricolor, até que o mesmo perguntará se ele não sabia de quem se tratava ali no campo.
Esfregando seus olhos sem querer acreditar no que estava vendo, era ele mesmo, seu filho, mas como é possível isso? Entre querer explicações e comemorar junto com os outros rubro negros o Dr. ficou com a segunda opção e a partir daquele dia foi o maior incentivador do seu filho, deu todo apoio e amor de pai para filho e o Marquinhos se tornou um dos grandes camisa 10 do futebol brasileiro do século passado.
Marco Aurélio realizara seu sonho de criança, jogar bola, fazer gol, ouvir seu nome gritado pela torcida, mas uma coisa ainda faltava.
Agradecer seu padrinho, pois foi ele que sempre insistiu para Marquinhos não desistir do seu sonho e após ser campeão várias vezes pelo Flamengo, Marco Aurélio decidiu jogar no Fluminense, foi o maior vira casaca da época, pois era comum os jogadores ficarem num único clube por toda a carreira, mas Marquinhos tinha uma dívida a pagar na sua consciência e mesmo com muitas críticas, lá foi ele vestir a dez tricolor e entrar em um FlaxFlu do outro lado do campo, da arquibancada, Joaquim já velhinho, não se aguentava em lágrimas ao ver, enfim, seu sonho realizado.














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