Território que já foi dos Panarás está na rota do Rally da Selva
Os competidores da 12ª edição do Rally da Selva, que será realizado de 01 a 04 de março, terão a oportunidade de conhecer o território que já foi casa dos índios Panarás, conhecidos também como Krenakore ou índios “gigantes”. A tribo ocupava, na região norte de Mato Grosso, a bacia do Rio Peixoto de Azevedo, onde atualmente se localizam o município de mesmo nome e a cidade de Matupá, que passam a integrar a rota da competição.
A passagem pela terra dos Panarás é uma espécie de encontro com a origem da competição, que desde o início carrega na logomarca o símbolo dos índios gigantes quase exterminados pelos bandeirantes e salvos pelos irmãos Villas Boas.
“Quando cheguei à Sinop, há 15 anos, procurei me interar sobre a história local, da qual fazem parte os Panarás. Quando idealizamos o Rally da Selva, um dos principais objetivos foi promover a integração total do evento com a região norte de Mato Grosso, mantendo essa idéia em todos os detalhes, inclusive na logomarca do evento, que é composta por uma onça e por um símbolo Panará. A imagem, que inclusive é semelhante a um rastro de pneu, era pintada pelos Panarás em seus corpos durante ritual da tribo“, informou o diretor-geral do Rally da Selva, Miro Teodoro.
A insígnia que vai abaixo da onça, representa a força física e mental necessária aos aventureiros durante a competição em meio à selva amazônica.
“A onça e a insígnia são dois símbolos fortes da nossa região. Costumamos dizer que a onça representa a rapidez, já que os competidores precisam ser rápidos e ágeis na direção. A insígnia representa a força do índio, uma vez que além da agilidade, as equipes também precisam ter força física e mental“, afirmou o diretor geral do Rally.
Para o prefeito de Matupá, Fernando Zanfonato, o evento esportivo contribui para o resgate histórico cultural da região.
“É fundamental que as pessoas conheçam a história deste povo guerreiro, que também está ligada a chegada da BR 163 ao norte de Mato Grosso. Nós já desenvolvemos no município um projeto de resgate cultural que envolve também os Panarás e a iniciativa do Rally da Selva vem somar com essa atividade“, acrescentou.
HISTÓRIA – Segundo antropólogos, evidências etno-históricas apontam que os Panarás ocupavam a bacia do Rio Peixoto de Azevedo desde 1920.
O primeiro contato com o grupo indígena se deu na década de 1970, quando o governo federal anunciou o Plano de Integração Nacional e a construção das estradas Transamazônica, Manaus-Boa Vista e Cuiabá-Santarém. Os irmãos Orlando e Cláudio Villas Boas ficaram encarregados de localizar e “pacificar” os gigantes. Porém o contato com o homem branco quase resultou na extinção da etnia.
Após resistirem à s tentativas de contato, os índios vítimas de doenças como a febre amarela se deixaram vacinar. Dos 400 Panarás que habitavam a região, apenas 79 resistiram. Em 1975 foram levados para o Parque Indígena do Xingu. Retornaram a seus antigos domínios em meados dos anos 90, fato considerado marco histórico, já que está foi a primeira vez que uma tribo indígena conseguiu na justiça a posse de suas antigas terras.
Atualmente os Panarás se localizam na aldeia Nãsepotiti, à s margens do rio Iriri Novo, na bacia fluvial do rio Xingu, no norte do estado de Mato Grosso.
INSCRIÇÕES – Os aventureiros podem se inscrever no Rally da Selva pelo site
www.rallydaselva.com.br. As disputas serão nas categorias Super Máster, Graduado, Júnior, Turismo e Expedição.
Mais informações podem ser obtidas no site oficial ou pelos telefones (66) 8115-0122, (66) 8112-0333 ou (66) 9985-2186.














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