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30 de outubro de 2026 às 16:51:22

Kayo Henrique

VLT – Família de macacos resgatada em Várzea Grande é levada para o Pantanal

17 de fev. de 2013
6 min de leitura

Atividade desenvolvida em parceria com o Ibama encaminhou os animais para uma área particular em Poconé.

O Consórcio VLT Cuiabá – Várzea Grande promoveu a soltura de uma família de macacos-da-noite resgatada da área que está sendo preparada em Várzea Grande para a construção do Centro de Comando e Operações (CCO), Centro de Manutenção e Terminal de Passageiros do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Os quatro animais – um casal e dois filhotes fêmeas – foram encaminhados a um espaço localizado na propriedade do Sesc Pantanal, em Poconé (a 104 km de Cuiabá). Os macacos foram levados pela equipe de fauna do Consórcio, com o acompanhamento de técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Mato Grosso, que tem parceria com o Sesc. Antes da soltura dos macacos, a equipe ambiental do Consórcio VLT realizou um minucioso trabalho de resgate, que incluiu duas semanas de observação dos hábitos dos animais, além da investigação e localização do lugar de repouso deles. “Eles foram resgatados e ficaram uma semana sendo alimentados e cuidados até a soltura. Agora eles estão sendo devolvidos a um ambiente onde têm mais chance de sobrevivência, pois na área onde estavam eles ficavam isolados”, explicou o coordenador de Fauna do Consórcio, Julio Dalponte.

O Superintendente do Ibama em Mato Grosso, Marcus Keynes, afirma que a iniciativa do Consórcio merece destaque por demonstrar a preocupação com o ambiente durante a execução das obras, promovendo ações para reduzir os impactos. “O melhor de tudo é que essa família terá mais chance para aumentar a população dessa espécie, pois estarão num local mais propício”.

RESGATE

A equipe de Fauna iniciou no mês passado o resgate de animais da área onde serão construídos o CCO, CM e Terminal. Foram resgatados cerca de 50 espécimes entre répteis, anfíbios e pequenos mamíferos. Antes de iniciar o resgate houve todo um trabalho de preparação da área, para oferecer segurança à equipe e aos animais.

O entorno do terreno foi preparado, com a escavação de fossos para captura de alguns animais. Foram resgatados lagartos, iguanas, rãs, pererecas, teiús, cobras, peixes, gambás, mão pelada, guaxinim, tatu liso, cutia, preás, lebres, morcegos. A captura dos animais, dependendo da espécie, foi feita de forma manual ou com armadilhas, colocadas em pontos estratégicos.

DESTINO

O destino dos animais é definido de acordo com as características do habitat das espécies. Julio Dalponte afirma que entre os locais usados para soltura dos animais estão a reserva do Ibama na Capital, Área de Preservação Permanente (APP) do rio Cuiabá, em Várzea Grande (próxima à ponte Sérgio Motta), lagoa Trevisan, Parque Berneck e até mesmo a lagoa Paiaguás.

O coordenador de Fauna do Ibama, César Soares, explica que os animais capturados devem ter a destinação mais adequada. “Os técnicos do Ibama e da equipe de resgate acordaram que grupos de pequenos mamíferos e aves possam ser soltos pelo Consórcio em remanescentes florestais próximos ao empreendimento”.

Outros grupos de animais, como alguns tipos de aves, mamíferos e répteis maiores, são liberados nos locais que o Ibama têm cadastrados no Projeto Áreas de Soltura de Animais Silvestres (Asas), no qual é possível fazer o monitoramento.

PARCERIA

Em janeiro, o Consórcio VLT Cuiabá – Várzea Grande firmou parceria com o Ibama para executar o resgate de fauna dos espécimes encontrados nas Áreas Diretamente Afetadas (ADA) pela implantação do VLT. Em decorrência dessa parceria, o Consórcio entregou ao órgão um espaço totalmente revitalizado, localizado dentro da área do próprio Ibama, em Cuiabá.

Foi instalado um Centro de Triagem de Animais, que dá apoio à s atividades de resgate de fauna. A estrutura é composta por um galpão (que inclui uma área aberta, cozinha, sanitários, almoxarifado) e uma sala para escritório. As instalações serão utilizadas para recebimento de animais resgatados pela equipe ambiental (composta por biólogo, veterinário, engenheiro florestal e auxiliares) e também poderá ser usada pelo próprio Ibama para esse tipo de atividade.

O gerente de Contrato do Consórcio VLT, Fernando Orsini, destaca a importância da parceria com órgãos como Ibama e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). “Em todas as nossas obras estamos atentos à s práticas ambientalmente corretas em parceria com esses órgãos”.

Os trabalhos de resgate vão ocorrer enquanto a obra do VLT envolver intervenções no meio ambiente. Após essa etapa, a área reformada será devolvida ao Ibama e os equipamentos adquiridos pelo Consórcio serão doados ao instituto, entre eles pequenas gaiolas e caixas para transporte e outros equipamentos de apoio.

Na opinião do coordenador de Fauna do Ibama, César Soares, a parceria firmada com o Consórcio VLT é fundamental porque a iniciativa pode se constituir no embrião de um futuro Centro de Atendimento e Triagem de Animais Silvestres (Cetas) para atender a Baixada Cuiabana. “Isso pode servir de modelo para outros engajamentos entre a iniciativa privada e Poder Público (Ibama, Sema e secretarias municipais) que buscam alternativas para o cumprimento de seu papel com a fauna silvestre, algo cobrado diariamente pela população”.

VLT: compromisso com o ambiente

Procedimentos adotados pelo Consórcio VLT Cuiabá – Várzea Grande para implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), novo modal de transporte escolhido pelo governo de Mato Grosso para a Copa do Mundo de 2014, são pautados em práticas sustentáveis, cujos métodos são adequados à legislação vigente. O VLT é um meio de transporte moderno e eficiente, usado em vários países, e que garante a satisfação dos usuários. Além disso, permite a interação com o ambiente urbano, sem trazer prejuízos à s comunidades do entorno. Entre as características que comprovam o respeito ao ambiente estão o baixo nível de ruído e emissão de CO2, o que reflete diretamente na qualidade do ar, além de proporcionar a integração com vários ambientes, a exemplo do Centro Histórico de Cuiabá e a rede hoteleira em Várzea Grande, resultando em um contraste entre o moderno e o histórico, valorizando as riquezas culturais do local. Outra característica que deve ser ressaltada é a matriz energética utilizada pelo modal – energia elétrica, que dispensa o consumo de combustíveis fósseis como o óleo diesel, bem mais poluente.

O Consórcio VLT também se preocupa com os colaboradores e terceirizados, investindo em treinamentos, normas de segurança e responsabilidade social. As ações adotadas, que antecedem ou sucedem as obras civis, são pautadas em princípios que respeitam o ambiente, demonstrando a preocupação e o respeito com quem vive nele. Para isso, o Consórcio busca envolver a população e os colaboradores por meio de campanhas de educação ambiental, executando programas para controle dos eventuais impactos decorrentes da obra.

Na lista de atividades dos programas e que já foram executados estão oficina para planejamento da arborização e paisagismo, produção de materiais educativos e informativos sobre o VLT, realização de palestras junto a profissionais da área ambiental e da educação, moradores dos bairros próximos ao trajeto do metrô de superfície, estudantes, além de professores, diretores e coordenadores de ensino. Para os colaboradores do canteiro de obras as temáticas são variadas. Foram instalados murais informativos e urnas de sugestões nos canteiros de obras. Como parte do programa foram instaladas lixeiras para coleta seletiva de resíduos nos canteiros de obras, promovendo a destinação correta dos materiais.

Outra medida adotada que exemplifica as ações sustentáveis está a união com órgãos ambientais como o Ibama, Sema e secretarias municipais de Meio Ambiente nos procedimentos para execução do projeto de implantação do VLT. As atividades realizadas pelo Consórcio só tiveram início quando as licenças ambientais foram liberadas pelos respectivos órgãos.

Para se ter uma ideia, antes da obtenção dos documentos exigidos pela legislação ambiental, principalmente para o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima), foram realizadas apresentações do projeto e debates com representantes de diferentes órgãos e entidades de classe, dando transparência ao processo, além de audiências públicas.

Para as intervenções no trânsito, necessárias para as obras de arte especiais e para implantação dos trilhos, são realizadas reuniões com a comunidade e líderes dos bairros e empresários, juntamente com equipe da Secopa, para coleta de sugestões para minimizar os impactos.

Uma das atividades ligadas diretamente ao ambiente e que ilustra a preocupação do Consórcio com a preservação do meio é a parceria firmada com o Ibama para o resgate de animais na Área Diretamente Afetada (ADA) pelas obras, que resultou na reforma e revitalização de um espaço dentro do Ibama, usado para recebimento dos espécimes resgatados. Após os trabalhos de resgate, que vão ocorrer enquanto houver ações que envolvam o ambiente, a estrutura será devolvida ao Ibama e os materiais serão doados ao instituto. Foto: Edson Rodrigues/Secopa

 
 
 

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